(foto: Yvette Moura)
Foi em viagem a Coruripe, numa dessas manhãs de outono, nubladas
e frias como manda o figurino, que eu comecei a pensar sobre as boas coisas da
vida. Naquela ocasião, o clima certamente favoreceu as minhas reflexões e criou
todo um cenário propício para que eu as listasse no meu bloquinho.
Na tarde de ontem, após um agradável almoço de trabalho com
três colegas queridas – Alessandra Vieira, Elô Baêta e Flávia
Batista –, voltaram-me as lembranças daquela aprazível viagem, realizada na
semana passada, na alegre companhia de Iracema Ferro e Antônio.
Embora o céu claro, a temperatura amena do dia de ontem, o
ambiente sofisticado da pauta que nos reuniu, e a deliciosa sobremesa que
arrematou o evento juntamente com um saboroso cafezinho, nos proporcionaram um
desses agradáveis momentos da vida, que merecem ser registrados.
A conversa animada, os sorrisos soltos e os semblantes leves
na hora da saída não foram conseqüência da ingestão de bebida alcoólica durante
a refeição, como bem pontuou Flavinha, mas a satisfação genuína provocada pelo
inesperado encontro que, de inconveniente por conta do horário, foi
facilmente transformado em um agradável intervalo de “descanso e relaxamento”
entre as obrigações do dia.
Da mesma forma, de uma experiência que poderia ter sido
cansativa e maçante, a viagem da semana passada também pode ser listada como um
desses momentos bons da vida.
Apenas nublado quando saímos de Maceió, Antônio, Iracema e
eu, o céu foi escurecendo ao longo do caminho, as nuvens ficando pesadas e
densas, aproximando-se cada vez mais da linha do horizonte, até que um temporal
praticamente despencou sobre as nossas cabeças.
Mas, paradoxalmente, isso foi
nos fazendo sentir relaxados e felizes.
O barulho forte dos pingos se chocando contra o pára-brisa
do carro, o friozinho que nos envolvia e a paisagem que poeticamente se desconstruía
diante dos nossos olhos, com a água da chuva escorrendo pelo vidro,
conduziam-me ainda mais para dentro de mim, deixando-me reflexiva, pensativa
sobre o que realmente importa na vida.
É claro que dentre as coisas tantas que me vieram à mente, a
natureza estava majestosamente presente em boa parte delas. Como tomar banho de
chuva, ver o dia amanhecer, varar a madrugada na companhia de alguém muito
querido, ou na conversa molenga de uma noite fria, entre amigos, tomando uma
bebida quente, agasalhados, enquanto a chuva cai, lá fora, bem fininha...
Também uma manhã de sol, quarando na areia da praia para
“tirar o mofo”, ou boiando sobre as águas mornas do Atlântico. Também o almoço
em família num preguiçoso domingo, ruidoso e alegre como deve ser...
O descanso tarde da noite após o beijo nos filhos, a louça
lavada, as plantas aguadas, o cãozinho nutrido, e a certeza de que todos estão
em casa, em segurança e em paz...
As coisas boas da vida – olha em volta! –, estão bem
pertinho de nós, à nossa mão, embora, distraídos, pouco nos demos conta disso.
Como bem disse o poeta John Lennon, a vida é o que acontece enquanto estamos fazendo
outros planos.
4 comentários:
E de que é feita a vida se não de momentos preciosos ao lado de pessoas especiais?
Isso mesmo Moura. O olhar caloroso sobre simples coisas da vida e as maravilhas da nossa mãe natureza - e elas são tantas, basta querer enxergá-las - é um alento infalível para as intempéries da existência. Assim, somos capazes de transformar aqueles momentos aparentemente enfandonhos em grandes encontros. O da tarde de ontem por exemplo, como você tão bem repercute nessas linhas, e as benesses do universo do percurso chuvoso em terras coruripenses também. O leitor e a espontaneidade do sorriso da foto na vivência de um desses momentos agradecem a maestria de seus escritos na descoberta desse olhar.
Beijos,
Elô Baêta
nada como ser surpreendida por uma agradável tarde vivida ao lado de companhias tão agradáveis e ainda temperada pelo doce sabor de uma cocada de forno. amei!!
Alessandra.
amiga querida, você é maravilhosa! obrigada pelas palavras tão lindas, pelas gargalhadas do almoço, pela presença sempre acalentadora. adoro a sua companhia, sempre saio com a sensação de que acabei de aprender uma lição, de olhar a vida com outros olhos. amo você!
Flávia Batista.
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