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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Verão

Ouvindo a algazarra que vinha lá de fora
- feito crianças em banho de mangueira - 
foi que me dei conta do quanto eram esperadas...
Bem-vindas, águas de janeiro!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Eco

Tenho a estranha sensação de não ter vivido o dia que trago, tão claro ainda, no meu pensamento. Hoje o teu sorriso é só uma lembrança vaga, mas o som da tua voz ecoa de alguma forma nos espaços vazios dos longos vazios que trago coração adentro. A tua voz, confesso, é como um rouxinol que se esqueceu cantando à minha janela. Olho o azul do céu e o horizonte cor de abóbora, que, saudoso, se despede para outros céus, e é como se te visse chegar mais uma vez, vestido de branco, todo elegante, para uma serenata...

sábado, 15 de setembro de 2007

O despertar

Naquele dia, fez a noite dormir em seu colo, dizendo em voz alta os poemas que um dia escreveu para ela. Mas como sua amada insistisse em permanecer distante e fria, entregou-se aos abraços do amanhecer, recepcionando toda a delicadeza que este lhe pudesse dar.
E foi aí, só aí, que descobriu toda a alegria de um despertar.

sábado, 1 de setembro de 2007

Patuscada

Em pensar que tinha tudo... Tudo mesmo!
Tinha até um lugar seguro para pendurar o cansaço semanal nas noites de sexta-feira, depois do trabalho árduo. Mas preferiu sair por aí à toa, perambulando a esmo, guiado pelo medo de ver o velho coração solitário prisioneiro da felicidade...

Sei não! É por isso que dizem que o amor é cego...
Foi de tanto idealizar sobre o que havia além da cerca que o pato virou prato na casa do vizinho!

terça-feira, 31 de julho de 2007

Fim de uma noite de inverno

Hoje, eu me vesti de azul e cantei feito uma andorinha, carregando nas asas a responsabilidade de fazer uma estação. Tomei o sol pelas mãos e guardei-o na minha caixinha de guardar surpresas para que o inverno pudesse permanecer um pouquinho mais em mim.

Porque gosto de me estender ao sol, quarando sobre a relva florescente numa tarde quente de verão; mas também curto a temperatura baixa dos invernos e o barulhinho da chuva molhando a terra e ninando o meu sono adolescente até que eu decida ter sonhos mais primaveris...

Até que eu me canse definitivamente dos polens das flores, do zunido das abelhas e das borboletas colorindo os campos verdes e prefira mesmo o banho de mar e o corpo dourado nos litorais do meu país.

Mas enquanto o verão não chega, quero mesmo é dormir essa noite fria de fim de inverno, sonhando que o meu sono pode ser eterno, como nos contos de fadas, com príncipe encantado e final feliz.

domingo, 15 de julho de 2007

Universos paralelos ( ou Em nome do pai, do filho e da evolução)

Respira forte, filho, cada segundo dessa noite escura, exatamente como fizeram teus pais em plena solidão, e segue confiando que alguém um dia já cruzou a mesma trilha.

Vai. Palmilha cada metro desse chão, como fizeram teus irmãos em plena busca, e avança mais, desbravando tudo aquilo que ainda é desconhecido para ti.

Abre a boca e fala as coisas todas que te vêm à mente, mas aprende a calar também, muitas vezes, como fizeram os outros, outras tantas vezes, que tiveram que silenciar vontades e desejos para que alguém se destacasse dentre si.

Fala até das coisas que ainda não viveste, entendeste? Porque alguém certamente já o fez lá atrás...

E confia sempre, filho de Deus, mas investiga tudo em que ainda não crês racionalmente. Porque assim é que a vida segue, em universos paralelos, equacionando fatos e sagrados segredos que nos congregam todos a um único movimento: avançar, avançar, avançar.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Vai ser feliz!

Sem essa de dizer que a vida está chata, que as coisas estão ruins e que o mundo está cada vez pior! Sem essa de ficar reclamando de tudo, dizendo que no seu tempo era bem melhor, que a felicidade se foi e que você ficou para trás...

Porque o tempo é aqui e agora!

Sabe de uma coisa, talvez o melhor mesmo seja mudar o foco: enxergar sob um novo prisma aquelas velhas questões. E descobrir sem demora a alegria inventiva da vida; a criatividade de ser; a ousadia de existir...

Se a sua vida está no preto e no branco, se o seu jardim está sem flor, se está difícil sorrir, muda o foco! Ensaie um novo olhar sobre as coisas. Descubra o que há de novo. Desenhe um novo arco-íris no seu horizonte. Invente uma nova história. E seja feliz, apesar de...


Mas se nada disso resolver o seu problema, se ainda assim a vida lhe parecer vazia, em um dia lindo como este, eu respiro fundo e dou a minha última cartada: Pô, meu, acorda! Tá faltando poesia na tua vida??? Fala sério! Visita o meMMorial e vai ser feliz por aí.

sábado, 5 de maio de 2007

Porque me acordaste tão cedo, se era dormir o que tu querias?

"Eh... Ainda é muito cedo, não é?" Disse-lhe o amigo com voz de sono.
E como se fizesse um pacto, sacou a palavra antes de qualquer reclamação (a voz ficando ainda mais preguiçosa):
- Então vamos dormir mais um pouquinho, está bem?
- Está bem! Respondeu a amiga com voz de cansaço.
Mas como raramente conseguia dormir depois de ser acordada, eram seis da manhã de um feriado quando desligou o telefone e foi cuidar da vida.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

A borboleta azul

Forjei meu caráter no escuro das noites, em dias mal vividos, no escombro dos silêncios e da solidão que grita me aguçando os sentidos, diz o poeta.
Mas também é ele que anuncia à mulher amada, em plena intimidade, alta madrugada: “Estou me sentindo como uma borboleta azul: cansada de ar”.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

O outro

Quisera ter o dom que ele tem de me olhar por dentro e esperar surgir a primavera, quando é outono ou tempestade em tudo que há em mim.

Quisera saber vestir aquele olhar contrito, voltado pra si, como se estivesse diante de um confessionário: sem se importar, de verdade, se cometeu algum delito ou não.

Quisera redefinir minha’alma como os que malham o corpo, auto-iluminando-me a cada exercício que faça, no ato proposital de existir...

Porque longe do outro, somos apenas um semblante vago, mísero espectro, que se mira no espelho sem ter a grata surpresa de se ver refletir.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Retorcidos

Tenho sonhos retorcidos que me povoam a mente noites inteiras. Também sonho acordada, sem muita convicção, os meus sonhos medrosos e cheios de incertezas. Há dias, no entanto, que eu não sonho nada...
É quando acordo no meio da noite, aflita, coração aos saltos, suor frio percorrendo a espinha, escorrendo pelas têmporas: tenho medo que a vida seja apenas esse vazio solto no espaço imaginário da Eternidade, que só ganha sentido quando os sonhos são concretizados.

domingo, 1 de abril de 2007

Ao mar

Como uma gota de chuva que esqueceu de soltar-se ao vento, a moça assiste a vida do alto de sua janela, no décimo sétimo andar.

Mas antes que amanheça e o horizonte reacenda o convite irresistível para viver mais um dia, ela expira a poesia do existir e se lança no vazio, abraçando a escuridão...

Porque a glória da gota é integrar o oceano, mesmo que não consiga escorrer rio abaixo.