terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Cem anos em cem minutos

Seja lá como for, a vida na Terra não passa de um dia de trabalho em relação à Eternidade.

Começar um ano é sempre uma oportunidade de começar de novo algo que ficou pela metade ou que precisa ser melhorado. Também constitui um convite a iniciar um novo projeto ou dar continuidade ao que já vem sendo desenvolvido de forma satisfatória. A divisão do tempo em grupamentos de horas, dias, semanas, meses e anos é uma feliz invenção humana, que tem ajudado a humanidade a contar a duração de sua própria trajetória existencial e a organizar melhor as suas atividades.

Para atender às próprias necessidades, à medida que as civilizações foram sendo formadas, os homens desenvolveram diversas maneiras de dividir o tempo de forma ordenada e prática, cada um com a sua lógica, seu conjunto de regras e métodos de observação. É por isso que existe calendário solar, lunar, luni-solar, de observação, teórico, completo e incompleto, cada nome sugerindo o sistema utilizado.

Na maior parte do Ocidente, o calendário adotado é o Gregoriano, que é um exemplo de calendário completo, solar e misto. Completo porque fraciona o tempo em dias, semanas, meses e anos; solar porque é sincronizado com o movimento do sol, o que delimita a duração dos dias; e misto porque combina a observação da natureza com a criação de um conjunto estrito de regras.

É assim que vamos por aqui, “pobres mortais”, carregando o “peso” da responsabilidade como se fossem fardos que nos vão sendo colocados nas costas à medida que a contagem avança, ou, dependendo do ângulo por que se observe, sendo invariavelmente confiscados na pureza e na alegria da infância, na energia e nos exageros da juventude, na capacidade e na autonomia da maturidade...

Há quem diga que a vida na terra é lenta e sofrida; há quem julgue ser um tempo curto demais para tudo o que se deseja experimentar. Há quem professe ser um estágio apenas, um aprendizado; mas há quem entre e saia desta experiência sem muita alteração...

Seja lá como for, os Espíritos Superiores afirmam que a vida na Terra não passa de um dia de trabalho em relação à Eternidade.

Portanto, se atingirmos a média de vida terrena, que está na casa dos setenta, em atividade no Bem, já temos muito o que comemorar. Que o digam os espíritas alagoanos, que começaram o ano festejando o centenário de sua Casa Máter, a Federação Espírita do Estado de Alagoas. Mas, em se tratando de uma doutrina nova como esta, pode-se dizer que a data marca apenas os primeiros passos de uma vida longa e profícua.

De minha parte, sinto-me muito feliz por ter sido tão bem acolhida por esses irmãos de ideal cristão e pelo privilégio de tomar parte neste grupo de almas que se destacaram tanto na implantação do Espiritismo nascente que Leopoldo Machado, no livro Caravana da Fraternidade, de 1950, comparou a cidade de Maceió à “Meca do Espiritismo no Brasil”, pela sua visão larga da Doutrina, pelas obras de assistência e promoção social que mantinha e pelo número de casas espíritas e escolas que possuía.

Numa comemoração simples, bem ao estilo espírita, festejamos os cem anos da FEEAL neste domingo, 6, na sede da Instituição, com a palestra “Cem anos com Kardec e Jesus”, proferida pelo querido amigo prof. Luis Pereira (que prometeu não ultrapassar os cem minutos!), as merecidas homenagens póstumas a Marlene Porangaba e ao Prof. Coelho Neto – presidente da Federação por quarenta anos –, e o descerramento de uma placa comemorativa.

Aproveito, aqui, para fazer a minha sincera homenagem àqueles que foram os desbravadores da Doutrina dos Espíritos em Alagoas, enfrentando a hostilidade e a ignorância do povo daquela época, que não vislumbrava a enorme contribuição que o Espiritismo estava trazendo para a humanidade. Felicito-os em nome da figura meiga e humilde do inesquecível irmão Sarmento, com quem tive o enorme prazer de trabalhar. Bravo!

2 comentários:

Anônimo disse...

Fico emocionada com a sua visão da vida e com retrata tudo isso, com
uma beleza profunda.
beijo carinhoso,
da fã niêta

Maria Moura. disse...

oh, linda...
eu é que agradeço a Deus por privar da sua amizade.
um beijo grande!