quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A incrível viagem

“A qualquer momento poderemos ser convidados a abandonar o “trem”, e é preciso ter desprendimento e espírito de aventura para isso”

Adoro viajar! Conhecer novos lugares ou rever paisagens conhecidas; fazer novos amigos ou matar a saudade de pessoas queridas; viver experiências novas ou fazer de forma diferente uma porção de coisas que já fiz antes. Por isso, procuro me manter aberta às mil e uma oportunidades que a vida possa oferecer (fazendo as minhas escolhas, é claro).

Tudo se torna melhor quando nos permitimos ao novo, sem nos fecharmos em fórmulas prontas, com hora, data e local predeterminados: assim evitaremos maiores frustrações. Afinal, a vida é dinâmica e tudo pode mudar de um instante para o outro. A qualquer momento poderemos ser convidados a abandonar o “trem”, e é preciso ter desprendimento e espírito de aventura para isso, porque cada existência encerra a oportunidade de uma incrível viagem.

De cada um depende o resultado final do acúmulo dos anos. Uns mergulham sem discernimento em tudo o que lhes surge pela frente, encurtando o caminho ou tornando-o mais longo; outros preferem assistir da janela o movimento da vida, julgando os atos alheios ou se emocionando com eles. A maioria, no entanto, vai ensaiando as suas experiências sem muita pressa, entre erros e acertos, enquanto que alguns preferem viver sob um modelo pronto, com a rigidez (e a fragilidade) de um belo cristal.

Como a própria vida, cada viagem tem os seus percalços, por isso, penso que a maleabilidade seja imprescindível na aventura de viver. É preciso ter discernimento e sabedoria para perceber a hora de chegar e a hora de partir; a hora de falar e a de não dizer nada; a hora de tomar uma atitude e a de deixar que o tempo passe para que tudo se harmonize e a normalidade se instale novamente.

Mas quanto mais viajamos, quanto mais lugares conhecemos, quanto mais pessoas encontramos, mais ampliamos a nossa capacidade de abarcar o mundo e de, paradoxalmente, permanecer em cada canto dele.

Cada local que visitamos fica impregnado com a nossa energia, o nosso perfume, os sorrisos que demos, as palavras que dissemos ali. Nossa alma, igualmente, vai se acumulado dos pores-do-sol que assistimos nesse ou naquele ponto, das palavras que trocamos com esta ou aquela pessoa, das brincadeiras que fizemos, dos abraços que demos... Enfim! Transformamos lugares e pessoas em memórias, e estas em saudades – coisa que é unicamente nossa. Quanto mais vamos ao mundo, mais guardamos o mundo dentro de nós, embora nos fragmentemos nele...

Complexo, não? E tudo isso apenas para dizer que já estou de volta e que não existe lugar melhor do que a nossa casa, porque é nela que reunimos todos os lugares que visitamos e todas as pessoas que encontramos pelo caminho. E que o melhor das férias são as viagens, mas o melhor de viajar é ter para onde voltar.

2 comentários:

Elô Baêta disse...

Finalmente estou aqui novamente, amiga, revigorando a minha alma e aprendendo a ser uma pessoa melhor com as suas sábias lições de vida. Na verdade, este comentário vale para todas as suas crônicas desde 1º de janeiro até agora, pois fiquei ausente de me "deliciar" com essas leituras, que já viraram um hábito em minha vida; atualizei tudo de uma vez só. As publicadas nas férias são reminicências da infância, um resgate da simplicidade e da inocência do passado...; as demais, dispensam comentários.

Beijão da sua amiga e leitora assídua

Maria Moura. disse...

sejas bem-vinda de volta, mas saibas que só perdou a tua ausência porque estavas de férias - as merecidas férias!!!
rss...
bjo.