quarta-feira, 16 de março de 2011

Antes que o dia acabe


Terminada a prazerosa leitura da primeira incursão da americana Kathryn Stockett na Literatura – companhia escolhida para esse carnaval –, ocorreu-me a idéia de fazer uma lista de livros, que eu tanto deveria indicar quanto ler mais de uma vez, mantendo-os sempre à mão, à minha cabeceira.

Certamente não seria uma lista definitiva – dado aos outros tantos volumes que ainda quero ler –, mas algo norteador para os que se identificam comigo e com a minha maneira de pensar, cônscios de que somos um somatório de tudo que já tivemos oportunidade de ler, conhecer, compreender e vivenciar.

Para mim, não existe companhia melhor do que a de um bom livro, pois além de nos proteger dos males da solidão, ainda traz uma infinidade de benefícios, como a ampliação do conhecimento, a ativação da memória e o enriquecimento do vocabulário. Sem dúvida, um bom leitor sabe organizar melhor as suas idéias, além de possuir conteúdo para tal.

Depois de A Resposta – que aborda a questão da segregação racial nos Estados Unidos da década de 60, especialmente no Estado do Mississipi, por ângulo inusitado –, após aquelas primeiras horas vazias, que nos invadem ao término de um bom livro, perguntei-me sobre outro título que tenha me deixado tão envolvida quanto esse, e me puxado para longe com tamanha força e intensidade quanto agora, ou me emocionado até as lágrimas pela força transformadora que suas páginas continham. Sem nenhuma surpresa, lembrei-me de vários.

Cada qual em sua época, eles me absorveram de tal forma as energias que me deixaram vazia, quase sem alma, ao término de cada leitura – tão habitada fiquei pelas personagens várias e suas histórias, que não as minhas, parecendo possuir uma vivência bem maior do que na verdade tinha.

Sem querer servir de exemplo para quem quer que seja, mas apenas pelo prazer de compartir as coisas boas que tenho experimentado na vida, resolvi deixar este legado para a posteridade através da minha meia dúzia de leitores, insistentes quão generosos, que poderão me esquecer completamente, um dia, mas com certeza não deixarão de lembrar o nome das obras que os enriqueceram, intelectual e moralmente, após folhear as páginas de alguns títulos que disporei aqui.

Em breves comentários, farei apenas algumas referências quanto ao conteúdo, ou sobre o quanto significaram para mim. Que cada um fale por si:

O ser consciente, da Veneranda Joanna de Ângelis – que apresenta a teoria do “eterno vir-a-ser” de que nos constituímos todos, espíritos imortais a caminho da luz;


A Cor da Ternura, da professora, poetisa e ficcionista paulista Geni Guimarães – que me ensinou, da maneira mais singela, que o preto e branco dos nossos dias pode, sim, se tornar colorido;


Coração Disparado, da mineiríssima Adélia Prado – que recebi com uma declaração de amor, e fez com que eu nunca me esquecesse de rezar, religiosamente, a poesia da simplicidade;


A Mulher no Evangelho – heroísmo e coragem, da atriz e professora Alcione Peixoto – que me ajudou a compreender a realidade sobre a condição feminina, intuitiva e cordata, que traz na própria essência o desafio de ser co-criadora da Vida;


Aprendendo a Viver, da imortal Clarice Lispector (mesmo sem ter ocupado cadeira na ABL) – cujas reflexões acerca da vida, do mundo e de si mesma, me ensinaram a não ter medo de dar voltas e voltas para dentro de mim mesma;


23 Histórias de Um Viajante, da singular Marina Colasanti – que embalou meus sonhos mais adolescentes, mesmo na maturidade, alertando para a sagacidade de tecer a vida sempre em bases sólidas, com fios de sabedoria, diferente dos contos de fadas...

E ainda Manoel de Barros (Memória Inventadas – a infância), Mário Quintana (Baú de Espantos), Florinda Donner Grau (Shabono), Ishmael Beah (Muito Longe de Casa), Huberto Hoden (O Sermão da Montanha), Eliane Brum (A Vida Que Ninguém Vê), Ariano Suassuna (Auto da Compadecida), entre outros; muitos outros.

3 comentários:

Lis disse...

Oi Maria
tanto tempo sem vir na sua "Palavras...
gosto tanto , é mesmo o tempo que permite que vá só em retribuição ás vezes .
Obrigada pelas dicas.
Anotado porque amo ler e se vem recomendado já temos noção do que vamos adquirir.
deixo abraços esperando voltar mais amiúde rs

jacqueline marlene disse...

qual o título do livro da americana?

também tenho este hábito de indicar as coisas que eu gosto, tipo: livros, filmes, músicas, porém às vezes fico achando que incomodo com minhas indicações, aí me arrependo já depois de ter enviado a indicação entende? Acho que é uma das minhas neuras né?

muito obrigada por tudo, bjs.

Maria Moura. disse...

queridas, que alegria recebê-las aqui!
o tempo nos consome de verdade, Lis, mas sempre achamos um espaço para o que é bom e que nos faz bem, não é? pelo menos, é como me sinto quando vou visitá-la também... rss. uma delícia.

quanto ao livro da americana,Jaq, A RESPOSTA é o seu nome. eu o encontrei em Janeiro, na Livraria Cultura, lá no Recife, mas já o vi nas prateleiras de algumas livrarias por aqui. outros precisam ser solicitados, eu creio, ou procurados nos alfarrábios.
um beijo, meninas. voltem sempre!!!