Quando bem empregado, acalma, conforta, acolhe, aquiesce, aproxima, suscita respeito e admiração...
Quando não, irrita, magoa, entristece, distancia, e faz assomar os fantasmas todos que a raiva, o medo, a desconfiança, o preconceito e o desequilíbrio criam.
O silêncio em si, não é bom nem ruim, mas a condução que lhe
seja dada será determinante sobre as conseqüências, desastrosas ou assertivas,
do que se almeja.
O silêncio não destaca nem denuncia propriamente quem quer
que seja, mas, certamente, já é uma resposta ou um princípio de posicionamento,
que se deve levar em conta.
Calar só é meritório, de fato, quando tem por objetivo
evitar uma contenda, quebrar o círculo vicioso da violência ou deixar que um
tolo se pronuncie para evitar a perda de uma obra inteira.
Ao invés de omissão,
a “falta de posicionamento”, nesse caso, denota nobreza.
Mas quando tenciona impactar negativamente o outro; atingir-lhe
os brios, pura e simplesmente; quando responde a um incontido desejo de
vingança apenas; ao invés de educar, oprime, angustia, afasta, e gera
incertezas e insatisfações.
A inferioridade moral, ou imaturidade emocional
daquele que o pratique, aí está implícita.
Calar na hora certa, no entanto, é tão importante quanto
saber verbalizar o que sente; tão necessário quanto dizer “não” no momento
oportuno; tão apaziguador quanto o “sim” no instante crucial...
O silêncio construtivo é fruto da maturidade, filho da
sabedoria, alcançada com as vivências – que aprende a aguardar com paciência o
despertamento alheio.
Quem cala no momento adequado dá ao outro a oportunidade
de ouvir as próprias inquietações e avaliar-se a si mesmo.
Mas quem o faz por pura agressão, para demonstrar toda
indiferença que o interlocutor lhe inspira, perde a grandiosa oportunidade de
servir ao bem, levando paz e alívio a um coração aflito;
tanto quanto priva a
si mesmo de algemas futuras – criadas pela mágoa, o ódio e o desejo de
vingança.
Tanto quanto o “não”, dito com aspereza, ou a leviandade de
um “talvez...” e o “sim” impensado, o silêncio empregado em favor do desprezo
pode levar dias, meses ou anos para ser desfeito;
e, às vezes, as desculpas de
uma vida inteira não valem para desfazer os seus danosos efeitos.
Sempre que possível, o melhor é fazer uso das palavras para
esclarecer mal-entendidos.
O diálogo fraterno, respeitoso e amigo, será sempre
o melhor recurso para fortalecer as relações humanas e fomentar o progresso.
Dirimir
o orgulho, reconhecer os próprios erros e voltar atrás, às vezes com um sincero
pedido de perdão, pode ser o primeiro passo para a própria libertação.
Mas se vir que o outro não consegue alcançar a dimensão do seu
gesto, e o esforço que tem feito para vencer a si mesmo, é preferível calar
temporariamente.
Porque o silêncio também é um poderoso antídoto contra as
mazelas humanas, as algemas do ódio e as aflições desnecessárias.
Um comentário:
linda Yvette ,obrigada por compartilhar tamanho ensinamento conosco.
Geisa.
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