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sexta-feira, 18 de abril de 2014

A data. A obra. E a ação inteligente dos Espíritos.

18 de abril de 1857. Há 157 anos, no Palais Royal, em Paris, veio a lume a obra cujo conteúdo viria instituir um novo momento para a Humanidade. 

O Livro dos Espíritos, contendo àquela época 501 itens, era o fruto de um trabalho profícuo e tenaz do professor Hippolyte Léon Denizard Rivail sobre o chamado “fenômeno das mesas girantes” 

– manifestações espontâneas em que mesas de madeira maciça giravam no ar para responder às perguntas dos curiosos em torno a partir de batidas produzidas no chão por um de seus pés. 

Uma batida, sim; duas batidas, não – uma brincadeira semelhante àquela do copo, só que numa dimensão muito mais avantajada, bastante difundida por toda Europa, em meados do século XIX, como espetáculo de diversão entre os frequentadores da corte. 

Estudioso do magnetismo, ao ser insistentemente convidado por um amigo o pedagogo teve contato com aquele “fenômeno de efeito físico”, pondo-se a estudá-lo com afinco, após esgotar todas as possibilidades que o seu espírito cético e crítico de pesquisador lançou mão para justificar os estranhos acontecimentos. 

Se possui causa inteligente, deve haver um propósito mais inteligente nisso do que puramente servir à diversão humana, pensou. 

E como um cientista em seu laboratório, Rivail elaborou perguntas com profundo teor filosófico, inspirado nos questionamentos existencialistas de sua época. A primeira delas, “Que é Deus?”. 

Sem o aparato dos grandes espetáculos dos fenômenos iniciais, mas na intimidade do lar de pessoas simples e honestas, os trabalhos do professor foram iniciados através da mediunidade de duas jovens, Caroline e Julie Boudin (com 16 e 14 anos, respectivamente), supervisionadas pelos pais. 

Mais tarde, já no processo de revisão do livro, juntou-se a elas a senhorita Celine Japhet, de apenas 18 anos. 

Adotando um pseudônimo para diferenciar dos trabalhos acadêmicos que houvera publicado até ali, Allan Kardec nunca se apresentou como responsável pelo conteúdo da obra, mas como codificador: 

alguém que cumprira a tarefa árdua e metódica, mas imprescindível, de elaborar as perguntas, analisar as respostas e relacioná-las por temas, sub-temas e tópicos, contribuindo algumas vezes com comentários que explicam como tudo aconteceu e contextualizam os ensinos dos Espíritos. 

Aliás, é a eles, os Espíritos, que Kardec credita os postulados da novel doutrina. E é aí – na obra que foi ampliada para 1019 perguntas e respostas a partir da segunda edição, em 1860 –, que se encontram os princípios doutrinários do Espiritismo 

“sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as Leis Morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade”, segundo o ensinamento dado pelos Espíritos Superiores, com o auxílio de diversos médiuns. 

Este foi o primeiro de uma série de cinco livros editados pelo pedagogo sobre o mesmo tema, cada um se aprofundando mais sobre um assunto específico, apresentado no Livro dos Espíritos, e dando origem assim à Codificação Espírita: 

O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese. 

O Livro dos Espíritos é uma obra subdividida em quatro livros, como habitualmente eram divididas as obras filosóficas daquela época, abordando respectivamente: 1 – Das causas primárias; 2 - Do mundo dos Espíritos; 3 – Das leis morais; e 4 – Das Esperanças e consolações.

Instituída a data no Brasil, como o Dia do Livro Espírita, anualmente os espíritas homenageamos os esforços daqueles que doaram a sua vida para que esta doutrina viesse a lume e alcançasse os seus edificantes objetivos junto à Humanidade, consolando e despertando consciências para o verdadeiro sentido da vida. 

A Jesus de Nazareth, Allan Kardec, Gabriel Delane, Camille Flamarion (e tantos outros continuadores dos esforços do codificador), 

Williams Crookes (representando os cientistas que mergulham em pesquisas para estudar o imponderável),

Eurípedes Barsanulfo, Chico Xavier (em nome daqueles que praticam a mediunidade com Jesus), 

Bezerra de Menezes (como representante dos que praticam a caridade), 

Divaldo Pereira Franco (lembrando os divulgadores), 

“Seu” Sobreira (grande difusor da Campanha do Quilo), 

e outros tantos que atuaram e atuam nas fileiras da Mediunidade, da Assistência e Promoção Social, da  Comunicação Social e da Ciência, propagando o Espiritismo e exemplificando o Evangelho de Jesus, a minha eterna gratidão e sincera reverência. 


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O Primado do Espírito

Não há como negar. Está se iniciando uma nova Era em nosso Planeta. De todo lado, mensagens chegam convidando a um melhor entendimento dos propósitos celestes para a humanidade do século XXI.

O amor, a paz, os valores do espírito a pouco e pouco começam a se instalar, de fato, sobre a Terra e a intolerância, o radicalismo, os interesses egóicos estão se enfraquecendo cada dia mais, promovendo a inadiável transformação do Homem materialista em uma humanidade cada vez mais espiritualizada.

Dos quatro cantos do Planeta vozes se levantam e ações benfeitoras nos dão mostras de que já não se tolera mais a ignorância, o individualismo e a violência (em suas várias faces), embora muitas vezes pareça exatamente o contrário.

No exterior, ditaduras caem por terra face ao enfrentamento popular, embora ainda à custa de luta e sangue;

No Brasil, o clamor das ruas vem derrubando projetos esdrúxulos e forçando o fim da impunidade, embora muito ainda falte para o Sistema ideal;

No meio científico, estudos comprovam cada vez mais a importância da fé, do perdão e da oração no tratamento de males antes incuráveis;

No campo religioso, líderes realizam mudanças fundamentais e retomam Jesus como ‘o modelo’ a ser seguido – e o ceticismo dia a dia vai perdendo espaço para as evidências da presença divina em nossas vidas.

Nos grupos sociais e familiares, aliás, nunca foi tão evidente a ausência deste modelo como causa primeira dos desfiladeiros de dor e sombra que vêm sendo experimentados em todas as classes sociais.

Cada vez mais se amplia a consciência coletiva de que não se pode ficar fora desse movimento universal – que visa promover mudanças profundas na “alma” do Planeta – sem sofrer sanções de grande monta e consequências incalculáveis. 

Não por “castigo divino”, mas pela própria incúria humana, insistindo em andar à margem.

O controle das emoções, a educação dos sentimentos, o diálogo, a caridade são convites inadiáveis para todos que estagiamos neste planeta/escola, que tem a modelagem do Espírito como foco principal.

Sem expectativas imediatistas, não há como fechar os olhos à claridade que se acende diante de nós frente as evidências. Sem dúvida, a Era do Espírito já está em curso e a nossa participação neste processo é fundamental. 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Noel?

Ele está por toda a parte. Dezembro chega e a movimentação já é grande em torno da figura do Papai Noel. Na grande noite, muitos se reunirão em torno da árvore decorada para a troca de presentes e o jantar tradicional.
A ornamentação das fachadas, as confraternizações e a ceia farta, em tons de vermelho e verde, povoam o imaginário popular nesta época do ano, reforçados, é claro, pelo alardeio dos apelos comerciais.
Mas apesar das luzes, o frenesi do consumismo segue ano a ano aquecendo as vendas e empanando o brilho do verdadeiro Natal...
Não é a troca de presentes nem os enfeites com paisagens de inverno europeu  e as frutas secas que simbolizam esta festa. Tampouco, as luzes que se acendem no frontispício das casas retratam a grandiosidade desta data.
Não é o gorro vermelho do “bom velhinho”, ou o seu “ho-ho-ho!”, nem as renas e o trenó, os sinos, as lâmpadas coloridas, o saco de presentes que lhe dão sentido. Mas o cenário simples, ornado pela natureza, no qual uma família pobre festejou a chegada do filho muito amado de Deus, na Palestina, há mais de 2 mil anos.
Sem nenhuma pompa, o maior dentre nós aportou no mundo  usando como símbolo a simplicidade de uma estrebaria. Mas, ainda hoje, Jesus bate à porta, na manjedoura dos nossos corações, perguntando se pode entrar...
Não nos pede nada nem exige sacrifícios fora do comum o aniversariante. Não reclama presentes ou festa. Apenas convida a buscar o infortúnio oculto nos amontoados humanos à margem da sociedade.
Convida a aliviar os corações alheios – sobressaltados de necessidades várias por trás de rostos tristes e corpos macerados – e afirma que tudo o que fizermos com relação a um destes irmãos mais pequeninos Seus, é a Ele mesmo que o fazemos.
Mas enquanto as taças tilintam ruidosas nas festas natalinas – regadas a vinho e deliciosas iguarias –, famílias estão ao relento, abandonadas e esquecidas como o aniversariante.
Em seu lugar, elegemos a figura bonachona do Papai Noel, que, embora pareça nos inspirar bondade, apenas reforça os nossos excessos e nos reúne em festas exclusivistas, exacerbando ainda mais as velhas práticas do egoísmo.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A cultura do extermínio


Resta saber se vamos nos posicionar sobre o assunto
ou engrossar a fila dos indiferentes

Como uma sombra deletéria sempre à espreita, os mensageiros do aborto em nosso país se escondem atrás de palavras e argumentos ardilosos com o único objetivo de confundir a opinião pública para emplacar o projeto de lei que visa legalizar este crime hediondo no Brasil.

Proposto pela deputada petista Iara Bernardi, com o número PL 60/1999, o termo usado primeiro foi “legalização”, depois “descriminalização”, e “incompatibilidade com a vida”, no caso dos anencéfalos, e agora “profilaxia da gravidez”, para vítimas de estupro.

Não importa o nome que se dê, este será sempre um ato covarde, totalmente avesso a qualquer cultura de paz que se deseje implantar em nosso país. Como clamar pelo fim da violência, se nós compactuarmos – por omissão ou indiferença – com a matança de criaturas indefesas, para quem temos o dever moral de dar proteção e guarida?

Desde o princípio, líderes religiosos de vários segmentos ocupam a linha de frente nesta batalha tentando evitar que o Brasil seja marcado pelo estigma deste crime hediondo, o que acarretaria em um atraso espiritual de largas proporções para toda a Nação.

Mas também médicos e cientistas vêm tentando alertar as autoridades para um direito absoluto, que vem sendo negligenciado pelos representantes do povo brasileiro no Congresso Nacional e até a própria presidente Dilma Roussef: a indisponibilidade da vida, desde as primeiras horas da gestação.

Comprovada em várias pesquisas científicas, realizadas no Brasil e no Exterior, a vida humana tem origem no ato da concepção. Quem duvidar que procure se inteirar sobre estudos como o da neurocientista norteamericana Candace Pert – que, entre outras coisas, comprovam a chamada “memória do embrião” – e conhecer histórias como a do doutor Bernard N. Nathanson, que passou de diretor da maior clínica abortiva do mundo a um dos maiores defensores da vida, através da medicina fetal.

Recentemente, a Associação Médico-Espírita do Brasil fez uma Moção de Repúdio ao Conselho Federal de Medicina (CFM) – que deu parecer favorável à prática do aborto até a 12ª semana de gestação –, encaminhada à comissão do Senado Federal que discute a reforma do Código Penal, em nome de 400 mil médicos que não foram ouvidos.

Na ocasião, uma edição especial da revista Saúde e Espiritualidade foi lançada, com artigos de vários estudiosos sobre as pesquisas que comprovam o início da vida humana no embrião, desde o momento da concepção.

Mas nada conseguiu demover os anjos da morte do seu intento criminoso: o PLC 03/2013 – que obriga o uso da “pílula do dia seguinte” em toda rede SUS, como “prevenção e tratamento dos agravos resultantes da violência sexual contra mulheres e adolescentes” – foi sancionado por Dilma. Um “direito” que nem sequer exige o boletim de ocorrência atestando o fato...

Caso a presidente não saiba, “profilaxia da gravidez” se faz com educação de qualidade, saúde para todos e condições sociais dignas, para que jovens (homens e mulheres) tenham melhores perspectivas de futuro e ocupação que lhes garanta a sobrevivência diária.

Num ardiloso jogo de palavras, e agindo à surdina como fazem os covardes, os mensageiros da morte estão maculando o nosso país com a ação criminosa do aborto, em nome de um “direito” que só cabe na imensa ignorância dessas ações e nos interesses escusos dos que lhes patrocinam. Resta saber se vamos nos posicionar sobre o assunto ou engrossar a fila dos indiferentes.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Fazendo as contas...



Numa tarde silenciosa, um coração em brasa queima irrequieto querendo se expressar. Mas em meio a tantos sentimentos, que poderiam preencher páginas inteiras como esta, tudo silencia e passa, inconstante em si mesmo. 

Sobre o que falar?

Ah, a vulnerabilidade natural das coisas nesse mundo de formas e sombras! O desencanto, as frustrações, as inseguranças várias que nos inquietam e ameaçam o bem-estar... 

Assim como as formas que se desfazem na matéria moldável da carne, sujeita irremediavelmente à ação do tempo. Pelas experiências, nas intercorrências do viver em si... Ai, de mim.

E quem passa pelo mundo com os olhos no passado, lembrando a saia comprida das moças, que varriam o chão batido do passeio, e o cumprimento sedutor dos rapazes, com um menear da cabeça e olhos compridos? Ai, ai...

E quem corre contra o tempo com os olhos fixos no futuro, atropelando os dias, vivendo pela metade, se impondo a sacrifícios desnecessários para construir o seu castelo dourado sobre as bases insólitas de um tempo que pode nem chegar? Ai, de mim...

Que não construo porteiras entre ricos e pobres, brancos e índios, loucos e lúcidos, simplicidade e beleza. Eu que insisto em salvaguardar a alma dos caprichos da matéria, transpirando distâncias, embora conserve o hábito das portas abertas. Ah...

Onde a segurança de passar pela Terra e chegar ao fim desse caminho sem nenhum arranhão? 

Onde a certeza sobre o que quer que seja, quando o rumo das coisas nem sempre está subordinado ao nosso controle? 

Onde a paz de espírito que veste as cabeças pintadas em neve de certos anciãos? 

Onde o estreito canal que une sentimento e razão? 

Onde o instante definitivo que estabelece o amor em detrimento da dor?

É preciso conduzir a vida com mais leveza e alegria. Sem tantas exigências sociais e práticas exteriores. Mas com entusiasmo, consciência e compromisso.

Os dias devem ser encarados como o que realmente são: breves intervalos de tempo, sequenciados, com tarefas a cumprir, problemas a resolver e alguns desafios a enfrentar. Vencido um ciclo, outro começa, e logo outro mais adiante virá. 

E assim a vida segue sem muita alteração.

O ideal é não acumular trabalho. Tarefas, problemas, desejos e questionamentos vãos pesam, angustiam e roubam a alegria de viver. 

Periodicamente, é recomendável que se faça uma faxina mental: ver o que foi quebrado, e se pode colar; botar fora o que está estragado; discernir sobre o que cabe ou já não nos cabe mais; analisar o que está sobrando em nossa vida. 

Por singelo que pareça, esse balanço irá fazer toda diferença no resultado final.

Ao fim de cada ciclo a vida segue em frente, e nós trilharemos mais leves o caminho e os percalços que lhe são inerentes.

Mas tem que ser periódico, como se fora previamente programado ou quando algo relevante nos aconteça e abale as estruturas. Até fazer parte da nossa rotina, como se banhar e dormir.

A ideia é fazer disso um hábito, como a boa alimentação e o condicionamento físico. Afinal, condicionar a alma ao autoconhecimento, e à reforma íntima, é o melhor investimento para a economia espiritual.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Do fogão à tribuna


Os cataclismos e problemas hodiernos serão discutidos 
de forma mais profunda

Elas são vulgares, no sentido amplo da palavra. Revestem-se de nomes igualmente comuns e têm a aparência semelhante às de outras tantas que passam despercebidas no seu dia-a-dia. 

Diferem-se no corte dos cabelos, no colorido das unhas, no modelo dos sapatos, no timbre da voz...  Também nas profissões abraçadas, na maneira como se expressam, nos valores que cultuam... 

Mas todas, sem exceção, trazem o potencial divino, criativo e criador, de doar vida.

Mais do que espécimes de um gênero, pura e simplesmente, as mulheres são criaturas dotadas de funções especiais, e específicas, ligadas aos sentimentos e à intuição. Seja qual for a sua área de atuação, elas são convidadas pela própria natureza a empregarem a subjetividade que lhes diferencia a serviço da Criação.

Agora, entre o ideal e o emprego que cada uma dá ao talento que lhe é próprio, uma vasta gradação de ações e atitudes existe distorcendo o importante papel da mulher no mundo.

Forjado no cadinho doméstico, com longo histórico de opressão e preconceitos de toda sorte, além da submissão imposta e de cerceamentos vários, ao longo do tempo o gênero feminino desenvolveu qualidades que, somados aos dons divinos, só o diferenciam para melhor.

Na luta por igualdade de direitos, no entanto, muitas se nivelam por baixo, copiando o comportamento leviano e descompromissado de certos homens, além de se permitir aos vícios e joguetes sensuais como isso fizesse delas criaturas “mais fortes”. 

Na posição de comando, algumas repetem o modelo tirânico para esconder a própria inadequação e insegurança. Como comandadas, outras se deixam levar pela indisciplina e pela rebeldia, comprometendo a qualidade do serviço.

Mas a tarefa que lhes cabe é por demais grandiosa para que se desperdice a oportunidade de servir positivamente. Às mulheres cabe a tarefa de edificar o “mundo melhor” que todos nós almejamos. Gordas ou magras, altas ou baixas, velhas ou jovens, todas estão convidadas à grande construção.

Se aliarem a maternidade à educação, se unirem a solicitude materna às primeiras lições de ética e moral, se às orientações de higiene e beleza associarem os ensinos cristãos, o tempo empregado com os seus filhos, e pupilos, serão as horas mais preciosas da sua existência: o antídoto mais seguro contra os males do mundo e o convite traiçoeiro das más companhias.

Conscientes dessa responsabilidade, e desejosas por cumprir a parte que lhes cabe nessa construção, mulheres espíritas levam o seu amor e a solicitude materna para além de suas tarefas domésticas e do ambiente restrito de seus lares a fim de consolar os aflitos e despertar consciências para as verdades imorredouras do Pai.

Está em curso, até domingo, a vigésima oitava edição da Jornada da Mulher Espírita de Alagoas – um ciclo de palestras itinerante realizado por mulheres, com o apoio irrestrito de seus parceiros e filhos, com vistas à libertação moral da grande família social da qual fazem parte.

Neste ano, os cataclismos e problemas hodiernos serão discutidos de forma mais profunda, à luz da Doutrina Espírita, para orientar os mais alarmados e conclamar a todos para contribuir com o Bem, que já se instala no mundo nesse momento de transição.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Os direitos dos homens


Falava sobre os direitos humanos e as leis fundamentais, que regem os países de acordo com a cultura e as necessidades específicas de cada povo, inscritas em cada Constituição, quando foi interpelado por um de seus alunos.

Mas antes de lhe passar a palavra, o professor completou o raciocínio dizendo que, diferentemente daquelas – que são formuladas e escritas pela inteligência humana –, os “direitos dos homens” são comuns a todos os seres sem jamais terem sido assinalados juridicamente, sendo compreendidos paulatinamente pelos próprios homens, com o avançar do tempo e a chegada da maturidade.

- Senhor – falou respeitoso Alessandro Lima –, há um pesquisador francês que assevera estarem esculpidas em nossas consciências as leis divinas, ou seja, as leis universais que regem os homens. São esses os direitos aos quais o senhor se refere nesse terceiro caso?

- Perfeitamente. Respondeu o professor do curso de Direito, impressionado, querendo saber um pouco mais sobre o referido pensador e as idéias propaladas por ele.

Meu amigo então lhe explicou que, desde 1857, o Livro dos Espíritos, constituído por ensinamentos compilados por Allan Kardec, apresenta à humanidade as Leis Morais, “Lei Divina ou Natural”, como sendo esse “regimento interno” com que são dotados homens e mulheres.

Pois é, independente da crença, as leis divinas indicam ao Homem o que deve ou não fazer a fim de progredir e alcançar a plenitude.

Mesmo dividindo-as em lei de adoração, do trabalho, da reprodução, da conservação, da destruição, da sociedade, do progresso, da igualdade, da liberdade e, por fim, de justiça, de amor e de caridade, como fez o codificador na obra basilar do Espiritismo para melhor entendimento do leitor, a Lei Natural é eterna e imutável como o próprio Criador.

Segundo o Espiritismo, o homem de bem pratica a lei de justiça, de amor e de caridade; tem fé em Deus e no futuro; faz o bem desinteressadamente; pensa nos outros antes de em si mesmo; respeita as convicções alheias; não tem ódio nem alimenta rancor ou desejo de vingança contra quem quer que seja; é indulgente para com as fraquezas do outro; pratica o autoconhecimento; esforça-se por se aprimorar dia a dia; usa, sem abuso, os bens que recebe por aqui...

Em outras palavras, respeita no semelhante todos os direitos prescritos pela Lei Natural.
Kardec ressalta, no Evangelho Segundo o Espiritismo, que todo aquele que se esforce para possuir essas qualidades (que ainda não são todas as características do “homem de bem”), já está no caminho que conduz a todas as outras.

Para começar, que tal fazermos, cada um, o deverzinho de casa?

Afinal, como afirma Lázaro, na obra supracitada, o dever está nas menores como nas grandes ações; “é a obrigação moral, diante de si mesmo primeiro, e dos outros em seguida”; ele começa no ponto em que ameaçamos a paz alheia, e termina no limite em que não queremos ver ultrapassado com relação a nós.

Numa auto-análise, sempre é oportuno investigar: será que estou cumprindo direitinho o meu dever?

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Manifesto



Hoje eu digo NÃO!

Hoje, eu queria dizer que acredito nas pessoas e no potencial divino que existe em cada uma delas. Comandantes e comandados, todos somos feitos da mesma argamassa que ascende aos céus após a experiência terrena, e a ela retorna, vezes sem conta, no processo contínuo de modelagem do espírito 

– da animalidade à angelitude, indistinta e invariavelmente.

O que fica por aqui, inerte e sem vida, é apenas uma veste rota, apropriada ao mundo das formas, passageira e mecânica sem a mente que a dirige; nada mais. Quer acreditemos ou não, somos mais que isso; isto é fato.

Hoje, eu queria lembrar que a morte não transforma ninguém em santo. Assim como a vida não aprisiona quem quer que seja num único papel. Com o despertar da consciência, ao correr dos anos, todos iremos transformando a nós mesmos, mais cedo ou mais tarde

 – da ignorância, que favorece ao mal, à sabedoria, que serve aos propósitos do Alto.

Hoje, eu queria cantar a alegria da vida e o prazer inenarrável de estar aqui, neste exato momento da história, em que testemunhamos tanto avanço na ciência, na tecnologia, na comunicação...

Queria dizer que é muito gratificante participar da construção desse novo mundo, que já começa a ser erguido. Queria abraçar meus irmãos e dizer que estamos juntos, coletivamente, para o que der e vier.

Hoje eu queria frisar que o trabalho é a salvação do homem, mais do que qualquer outra coisa, pois fortalece a sua auto-estima, desperta-lhe o desejo de ser mais e melhor, desenvolve o seu senso de compromisso e de responsabilidade, entre outros benefícios que traz.

Queria dizer que além de uma necessidade básica, para manter a família e se sustentar dignamente, trabalhar é uma verdadeira terapia para a criatura humana, uma lei que favorece o progresso, e o remédio que nos livra de outros tantos males, como a ociosidade, a maledicência, a irresponsabilidade, a indiferença...

Mas, hoje, mesmo que quisesse fazer diferente, penso que não conseguiria dizer nada além do que já comparti aqui. Apesar de continuar acreditando nos valores imorredouros da alma, e em tudo mais que afirmei nas linhas acima relacionadas 

– confiante na capacidade dignificadora do Homem, convicta da regeneração efetiva dos seres, determinada a vencer os desafios da sobrevivência com a força produtiva do trabalho e consciente das desigualdades que ainda existem entre nós –, 

tudo o que eu disser agora será apenas o meu manifesto, minha indignação...

Porque, hoje, o que eu quero mesmo é dizer NÃO!

Não à relação desleal e viciosa que estabelece oprimido e opressor. Não à falta de compromisso com a pessoa humana. Não à falta de respeito para com as dores alheias (é cada um por si!)...

Hoje eu digo não! Para o abraço que apunha-la pelas costas; a mão que cumprimenta, mas aponta na primeira oportunidade; as palavras amenas, que escapam facilmente pelos lábios, mas escondem entre os dentes o desprezo e a indiferença...

Eu digo não aos usurpadores da inteligência! Aos que roubam nossas horas, ameaçam nossa paz, assaltam nossos sonhos, lesam nossa dignidade... Hoje eu digo NÃO.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A família, a babá e os consultórios psiquiátricos


Passar horas ao computador, não desgrudar do celular um só instante (principalmente se ele dá acesso à internet), preferir ficar ligado às redes sociais ao invés de sair com os amigos e isolar-se do convívio familiar para teclar com os contatos do mundo virtual são alguns dos sintomas característicos de um novo tipo de dependência.

Segundo matéria publicada recentemente em uma revista de circulação nacional, novos estudos mostram que, atualmente, para um número crescente de pessoas, “é mais difícil resistir à tentação de acessar sites como Facebook e Twitter do que dizer não ao álcool e ao cigarro”. 

A nova droga é consumida dentro de casa e não escolhe os seus usuários por faixa etária ou nível de escolaridade.

Segundo a reportagem, um dos primeiros estudos sobre essa realidade foi apresentado em fevereiro, pela Universidade de Chicago, após acompanhar a rotina de checagem de atualização de 205 usuários, durante o período de sete dias.

Aqui no Brasil, o segundo país com maior quantidade de participantes da maior rede social do Planeta, os números já começam a aparecer e os distúrbios psicológicos também. O Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo já apresenta um número significativo de pacientes que procuram tratamento para o vício em redes sociais: 25%. 

E pela estimativa da instituição, este percentual deve aumentar, tanto que já se vislumbra a necessidade de criar um módulo específico para o tratamento desse novo tipo de vício.

A psicóloga responsável pelo Instituto, Dora Góes, declarou também, na matéria, que a dependência de internet é tão forte quanto a dependência química, provocando, inclusive, sintomas de crise de abstinência quando, por um motivo ou outro, os usuários ficam sem acesso à rede. 

Ansiedade, crises de raiva, suores excessivos e até depressão podem ocorrer.

Males da vida moderna! Incontestavelmente, o homem continua preenchendo os seus vazios existenciais com estímulos externos, que só o afastam da sua verdadeira essência. E as frustrações e os “não” que experimenta em seu dia-a-dia continuam sendo, igualmente, motivos de fuga.

Para o consultor em desenvolvimento pessoal Carlos Florêncio, também citado na reportagem, as redes sociais permitem “o controle absoluto sobre quem somos”, possibilitando ao usuário “editar” a sua vida e publicar apenas o lado mais bonito das coisas – as fotos mais bonitas, os detalhes mais interessantes do dia etc –, reforçando ainda mais o culto às aparências.

“É uma realidade paralela em que todos apresentam o que julgam ser suas versões ideais”, conclui o profissional numa análise bastante coerente. 

Essa constatação, a meu ver, deve nos servir de alerta. Mães, pais, nos aproximemos dos nossos filhos! Cultivemos os valores imorredouros da reunião familiar, do diálogo fraterno, da troca de afeto, ou estaremos relegando o nosso maior tesouro, e o futuro do nosso país, à nova babá eletrônica.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sob o sol forte...

(Luís Antônio, 44, Jaramataia - AL / Foto: Yvette Moura)
Os vincos da face, queimada do sol; a textura da pele, prematuramente enrugada; as mãos calejadas de empunhar diariamente a enxada; os dentes escassos na boca, revirando um talo seco de capim; os olhos miúdos lançados no horizonte à busca de algum sinal...

Encontrei Luís Antônio da Silva carregando dois tambores de água vazios sobre uma carroça – puxada por um animal tão magro e desalentado quanto ele – logo na entrada da cidade de Jaramataia, na manhã da última quinta-feira.

O português truncado à moda camponesa, a fala mansa e pastosa comum aos sertanejos, que eu valorizo tanto, não me impressionaram mais do que saber a idade do nosso entrevistado, nascido no mesmo ano que eu.

O aspecto envelhecido, como se ostentasse respeitosos sessenta e poucos anos, nada mais era do que o reflexo perverso da falta de oportunidades e dos desafios constantes a que está submetido o homem do campo.

Logo pude constatar que a textura ressequida estampada na pele de Luís Antônio nada mais era do que o padrão do lugar: impresso na face das mulheres, na falta de perspectiva dos homens, no olhar absorto dos idosos, nas paredes das casas de taipa, na copa das árvores da caatinga, e até no leito dos rios.

“Descabriados”, a muito custo esses seguiam o seu curso, cabisbaixos e humildes, falhando aqui e ali, enquanto os açudes e as cacimbas, não menos majestosos, recolhiam-se a uma insignificância que não era sua. 

Tal a paisagem inóspita encontrada pela equipe de O Jornal na reportagem sobre a longa estiagem no Sertão alagoano – escrita por Láyra Santa Rosa e fotografada por mim –, que estampou a capa do último domingo (06).

Afora pisar com os próprios pés o solo áspero e enlameado dos açudes, no entanto, e registrar com a própria câmera a paisagem árida da seca, nada do que vimos pode ser considerado propriamente uma novidade ou surpresa. 

Afinal, intensa ou amena, a seca é uma realidade de todos os anos para aquela região.

Surpresa mesmo é ver só agora os gestores se mobilizando para tentar amenizar os efeitos danosos de uma longa estiagem, e assistir ao governo do Estado rogar a Deus que mande chuva.

Surpresa é constatar que no terceiro milênio ainda enfrentamos problemas corriqueiros e recorrentes como esses à maneira de principiantes.

Surpresa é descobrir que, por trás da escassez da água, do sofrimento e da miséria dos que se encontram presos a situações como essa, existe toda uma “indústria” dando suporte a esse estado de coisas, e muita gente tira o seu “sustento” da desgraça alheia.

Surpresa, aliás, talvez nem seja a palavra mais adequada: faz muito tempo que essa “dinâmica” está estabelecida nos sertões nordestinos. 

E, certamente, muitos candidatos serão eleitos, no próximo ano, com os “votos da seca”.

terça-feira, 17 de abril de 2012

O homem, a obra e os nossos destinos



Ele era um pedagogo bem conceituado, com notáveis referências como educador, tendo, inclusive, sido aluno de Pestalozzi e, àquela altura, já havia publicado várias obras na área da educação. 

Notoriedade, portanto, não era o que lhe faltava.

Também não jogava para o alto todas essas conquistas nem os sólidos conhecimentos que possuía, mas utilizara-se de toda sua inteligência para se aprofundar numa questão séria, que todos, à época, lidavam com leviandade.

Estudioso e com formação voltada ao raciocínio analítico – num século de grandes debates e discussões filosóficas, em que o espírito crítico fora hipertrofiado em detrimento das questões religiosas –, chegou a sugerir uma conexão do magnetismo com os fenômenos que observava.

Para sua surpresa, e aguçando ainda mais a sua capacidade de observação, percebeu que há certos tipos de fenômenos que escapam às possibilidades da ação magnética. 

Forçosamente teve que reconhecer a predominância de uma força superior, descortinando-lhe novos horizontes a partir das relações com o elemento espiritual.

A movimentação de objetos – fenômeno que ficou conhecido como “mesas girantes” – havia se espalhado pela Europa, e estava sendo utilizada apenas como objeto de diversão e frivolidade nas rodas sociais quando o professor lionês Hippolyte Léon Denizard Rivail tomou conhecimento delas e passou a estudar o fenômeno com acuidade e real interesse científico.

No dia 18 de abril de 1857, há exatos cento e cinqüenta e cinco anos, veio à lume o mais amplo tratado filosófico, científico e religioso de que se tem notícia até hoje. 

Ao estudo foi dado o nome de Doutrina Espírita, Doutrina dos Espíritos ou Espiritismo.

Naquele dia, nascia também para o mundo a personalidade de Allan Kardec, pseudônimo utilizado pelo professor francês para não macular de forma alguma o conteúdo profundo de que era portador, nem sugerir qualquer idéia de personalismo associando-o a si.

Nos livros que formam o chamado “Pentatêuco Kardequiano”, o codificador, como é reconhecido pelos espíritas, sempre fez questão de frisar a autoria dos espíritos. 

Uns, personalidades bem conhecidas pelos homens – João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paula, São Luís, Sócrates, Platão, Fénelon –; outros, nem tanto, como O Espírito da Verdade, Joanna de Ângelis e Emmanuel, entre outros. 

Mas todos indubitavelmente motivados pelo grande propósito divino da melhoria moral e espiritual da humanidade.

“Para coisas novas precisamos de palavras novas”, iniciou Kardec, na introdução da obra basilar da Doutrina Espírita. Foi então que surgiram os neologismos “espiritismo”, “espírita” e “espiritista”, para se referir à nova doutrina e os seus seguidores. 

Antes de Kardec, falava-se em espiritualismo e neo-espiritualismo para interpretar os fenômenos espirituais, que sempre existiram.

Nestes 155 anos, muitas vidas foram restauradas pelo Espiritismo. Suicídios abortados, sofrimentos atrozes foram extintos, e mentes ignorantes e ociosas encontraram o seu “norte” nos postulados espíritas. 

De minha parte, sou profundamente grata a Deus, a Jesus e a Kardec pela doutrina maravilhosa que nos legaram e que, ainda hoje, continua libertando consciências.

@ artigo publicado em O Jornal, nesta quarta-feira, 18 de abril de 2012.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Com relação às relações...


(foto: Yvette Moura)

O que nos faz olhar para o lado e enxergar no colega, no vizinho, no cônjuge ou num parente querido a personificação do inimigo? 

O que nos faz desconhecer, de repente, pessoas por quem nutríamos respeito, afeto ou admiração? 

Como é que se destrói, sem que a gente se dê conta disso, uma relação que até então parecia estável?

Perguntas como essas deveriam ser feitas periodicamente por cada indivíduo, num solilóquio d’alma, para que analisasse a quantas anda as suas relações interpessoais. 

Não para contabilizar os que se foram e os que acabaram de ingressar em seu seleto círculo de amizades, pura e simplesmente. Mas para avaliar a forma como tem se conduzido nessas relações.

É muito comum exigirmos do outro um comportamento primoroso e a aceitação total do nosso modo de ser. 

Com maior freqüência, no entanto, nós nos esquecemos de avaliar se estamos sendo para o outro o amigo sincero, leal e atencioso que gostaríamos de ter. Na maioria das vezes, vamos descobrir que não...

Esquecemos que respeito, ética, gentileza e espírito de cooperação são lições que devem começar em casa, sem interesses escusos. 

E a “prática da boa vizinhança” deve ser uma constante até que passe de exercício a hábito, que nos denuncia onde quer que nos encontremos.

Amar os que nos amam, que mérito há nisso? Já questionava Jesus. Fazer o bem aos que nos querem bem, até os maus fazem... 

Grande mesmo é respeitar as diferenças e construir laços de afeto com quem nos olha de lado. É ter a coragem de ultrapassar os limites das nossas “patotas” e dar o melhor de nós para estabelecer relações interpessoais mais saudáveis.

Amar o próximo e aceitar as pessoas como elas são não é uma tarefa que se realize do dia para a noite. É obra de contínua e perseverante construção, sempre calcada em objetivos elevados. 

Inúmeros já lograram transformar inimigos em aliados. E se foi possível para eles, também o será para nós. Vamos tentar?

Mas é preciso despir-se dos preconceitos (permita-se conhecer antes de “qualificar”!); despojar-se de reservas e amarras (só consegue dar realmente aquele que se permite receber.); e abrir o coração para facilitar o “encontro” (nenhuma relação sobrevive na superficialidade...).

Mas, se depois de tudo isso o outro permanece fechado, siga o seu caminho, cultivando sempre a boa semente. Pois cada um dá o que tem. 

Além do mais, como me ensinou, certa feita, uma interna do Lar Francisco de Assis, todos temos o direito de fazer as nossas próprias escolhas. E ninguém precisa adoecer por conta disso. 

Diante da recusa da outra, que eu tentara aproximar para amenizar a solidão da velhice, Maria se voltou inabalável e disse: “Deixe para lá! Ninguém é obrigado a gostar da gente”.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A ciência do "calar"



Quando bem empregado, acalma, conforta, acolhe, aquiesce, aproxima, suscita respeito e admiração...

Quando não, irrita, magoa, entristece, distancia, e faz assomar os fantasmas todos que a raiva, o medo, a desconfiança, o preconceito e o desequilíbrio criam.

O silêncio em si, não é bom nem ruim, mas a condução que lhe seja dada será determinante sobre as conseqüências, desastrosas ou assertivas, do que se almeja.

O silêncio não destaca nem denuncia propriamente quem quer que seja, mas, certamente, já é uma resposta ou um princípio de posicionamento, que se deve levar em conta.


Calar só é meritório, de fato, quando tem por objetivo evitar uma contenda, quebrar o círculo vicioso da violência ou deixar que um tolo se pronuncie para evitar a perda de uma obra inteira.

Ao invés de omissão, a “falta de posicionamento”, nesse caso, denota nobreza.

Mas quando tenciona impactar negativamente o outro; atingir-lhe os brios, pura e simplesmente; quando responde a um incontido desejo de vingança apenas; ao invés de educar, oprime, angustia, afasta, e gera incertezas e insatisfações.

A inferioridade moral, ou imaturidade emocional daquele que o pratique, aí está implícita.

Calar na hora certa, no entanto, é tão importante quanto saber verbalizar o que sente; tão necessário quanto dizer “não” no momento oportuno; tão apaziguador quanto o “sim” no instante crucial...

O silêncio construtivo é fruto da maturidade, filho da sabedoria, alcançada com as vivências – que aprende a aguardar com paciência o despertamento alheio.

Quem cala no momento adequado dá ao outro a oportunidade de ouvir as próprias inquietações e avaliar-se a si mesmo.

Mas quem o faz por pura agressão, para demonstrar toda indiferença que o interlocutor lhe inspira, perde a grandiosa oportunidade de servir ao bem, levando paz e alívio a um coração aflito;

tanto quanto priva a si mesmo de algemas futuras – criadas pela mágoa, o ódio e o desejo de vingança.

Tanto quanto o “não”, dito com aspereza, ou a leviandade de um “talvez...” e o “sim” impensado, o silêncio empregado em favor do desprezo pode levar dias, meses ou anos para ser desfeito;

e, às vezes, as desculpas de uma vida inteira não valem para desfazer os seus danosos efeitos.

Sempre que possível, o melhor é fazer uso das palavras para esclarecer mal-entendidos.

O diálogo fraterno, respeitoso e amigo, será sempre o melhor recurso para fortalecer as relações humanas e fomentar o progresso.

Dirimir o orgulho, reconhecer os próprios erros e voltar atrás, às vezes com um sincero pedido de perdão, pode ser o primeiro passo para a própria libertação.

Mas se vir que o outro não consegue alcançar a dimensão do seu gesto, e o esforço que tem feito para vencer a si mesmo, é preferível calar temporariamente.

Porque o silêncio também é um poderoso antídoto contra as mazelas humanas, as algemas do ódio e as aflições desnecessárias.

quarta-feira, 21 de março de 2012

A família em foco

 “O lar é a primeira escola da alma”

Com assustadora frequência temos ouvido relatos de violência doméstica e abuso sexual contra crianças e adolescentes (a maioria meninas).

Uma prática que não só atenta contra o direito à felicidade do indivíduo – uma vez que deixa seqüelas irreversíveis – como também contribui para a construção de uma sociedade desajustada, pautada no desrespeito, na desconfiança e na baixa autoestima.

Um cenário perfeito para o ingresso no mundo dos vícios e da criminalidade.

Embora a luta feminina pela igualdade de direitos não seja uma novidade, e algumas medidas já tenham sido tomadas para proteger a família (como o ECA e a Lei Maria da Penha), o ambiente doméstico continua sendo o palco preferencial dos agressores, que encontram na mulher e nos filhos os alvos mais fáceis; e na impunidade, a sombra em que se escondem.

Não é a toa que os jovens estão ingressando cada vez mais cedo na marginalidade. Enquanto alguns recrudescem, suportando as agressões sofridas com o cultivo insuspeitável do desejo de vingança, outros se entregam ao autoflagelo, colocando-se em situações de risco, como a rua, as drogas e a prostituição.

Os primeiros possivelmente irão repetir, na idade adulta, o que viveram na infância; já os outros, salvo raras exceções, dificilmente sobreviverão aos maus tratos para contar a história.

Fazendo uma rápida análise, o que vemos é um emaranhado de fatores que implicam numa teia deletéria, de difícil dissolução, a colocar em risco o futuro da sociedade.

Num olhar mais acurado, conseguimos enxergar as brechas que favorecem a permanência desse estado de coisas, aparentemente fora de controle: o egoísmo e a fragilidade das relações familiares.

Qual a ação dos pais na educação dos filhos? Como administrar os conflitos e as perturbações que ocorrem dentro da família? Quais os rumos a tomar, e os desafios a vencer, na construção do lar?

Questões como essas são imprescindíveis nas grandes discussões que visam sanar o intrincado problema.

Seja através de estudos, seminários, ou até mesmo da literatura, a gestão da família precisa ser mais refletida. Para que os pais encarem com mais seriedade aquela que representa a célula primeira da sociedade; e que as famílias não se formem em momentos furtivos, na busca ilusória de prazeres efêmeros...

Liderando o ranking de denúncias de abuso sexual, e violência contra a mulher consequentemente [segundo matéria de Iracema Ferro, veiculada no último domingo (18/03), em O Jornal], felizmente Maceió já está despertando para a importância dessa temática.

Neste final de semana, por exemplo, a Jornada da Mulher Espírita estará promovendo o IV Seminário Espiritismo e Transformação Social, no Senai-Poço.

Conhecedores do momento especial porque passa o planeta Terra, os espíritas se antecipam à discussão trazendo “A Contribuição da Família Para o Mundo de Regeneração” à apreciação dos interessados.

Pois, como lembra a coordenadora do evento, Conceição Farias, “o lar é a primeira escola da alma. É dele que é exportado o maior número de caracteres para a formação de uma sociedade”. Pensemos nisso. 

sábado, 1 de outubro de 2011

Sol do meio dia

“Quem perdeu foi quem morreu!” – diz o populacho diante de um sinistro provocado, direta ou indiretamente, pela ação de terceiros. Com esta frase, está reproduzindo pura e simplesmente a filosofia materialista, que atribui o fim da vida à morte do corpo físico, ainda tão presente no inconsciente coletivo da nossa sociedade.

Com valores invertidos, e mais voltadas para o “ter” do que para o “ser”, as pessoas lamentam a morte como se ela fosse um castigo cruel para os ímpios ou uma perda irreparável para aquele que a vivencia “inocentemente”, preferindo muitas vezes ver o seu ente querido levando uma vida vegetativa ao seu lado do que ser “colhido” pela tal “Senhora do Destino”.

Opção que denota mais desconhecimento sobre a vida e a morte do que propriamente uma afeição verdadeira e genuína.

Com o paradigma da imortalidade da alma – que há décadas vem sendo estudada e amplamente comprovada pela ciência (leia-se Brian Weiss, Elizabeth Kübler-Ross, Ian Stevenson, Hemendra Nath Banerjee, Hernani Guimarães Andrade, entre outros) –, essa crença precisa ser modificada o quanto antes se quisermos avançar moralmente.

Como crianças voluntariosas, preferimos cultivar fantasias e quimeras a enxergar a realidade que se descortina diante dos nossos olhos indistintamente. Levamos a existência por caminhos duvidosos, gastando o nosso precioso tempo dando voltas e voltas em torno de questões tão simples quanto naturais, que insistimos em não ver.

Preferimos as ilusões. Talvez porque seja mais cômodo permanecer “inocentes” do que assumir responsabilidades que a nossa fraqueza moral pode não dar conta. É preferível acreditar no fim de tudo a controlar os impulsos, educar os sentimentos e reconhecer os próprios erros.

Domar a ira, ter compaixão e voltar atrás parecem atitudes difíceis demais para alguns de nós, egocêntricos, egoístas e excessivamente vaidosos.

Mudar para que, se a qualquer momento tudo pode se acabar, e o que somos se perderá no tempo das lembranças e das saudades dos que ficam, que, um dia, também terão fim? Por isso, os suicídios, os assassinatos passionais, os latrocínios, fazendo da vida um bem perecível e menos importante do que as nossas urgências e aparentes necessidades.

Assim, a criança atira contra a professora e, em seguida, se mata, nas escadas do próprio colégio, por um motivo banal;

a namorada se joga da varanda ante a infeliz ameaça do fim do seu relacionamento; o jogador dá sumiço na amante para não ceder as suas chantagens;

o ex-namorado invade a casa da “amada”, armado, e faz refém toda uma nação – que acompanha avidamente pelos canais de televisão o total descontrole emocional do rapaz, até o desfecho fatal;

e homens e mulheres se entregam a toda sorte de desequilíbrios e baixezas morais por não terem coragem de enfrentar as próprias frustrações com equilíbrio e dignidade...

Como acabar por aí, numa única oportunidade? Como desistir dos que criou com tanto alegria? Se nós não desistimos dos nossos, Deus também não o faz. Como o sol do meio dia, é chegado o tempo de enxergarmos mais.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Ordem e progresso

Se nos perguntassem, hoje, “independência ou morte?”, certamente gritaríamos a mesma resposta dos nossos antepassados. Como eles, talvez, colocaríamos a própria vida em risco na luta pela liberdade, embora isso não nos desse qualquer segurança de que o nosso ideal seria alcançado.

189 anos após o episódio histórico que emancipou politicamente o nosso país da corte portuguesa, e ainda estamos lutando cotidianamente por independência. Se crescemos em alguns aspectos, permanecemos imaturos em outros, mantendo-nos acorrentados a práticas tão antigas quanto imorais.

Em matéria de eleições, por exemplo, somos referência de organização e agilidade com as urnas eletrônicas, mas não conseguimos evitar ainda que políticos inescrupulosos e corruptos voltem ao poder através da compra de votos e dos currais eleitorais.

Pouca diferença há, em verdade, entre os índios, que trocavam as riquezas de suas terras pelas bugigangas dos colonizadores, e os eleitores que se vendem por um saco de cimento, uma promessa de emprego ou uma nota de cinquenta reais.

Homens e mulheres feitos, continuamos agindo de forma irresponsável com coisas tão sérias como o futuro da nação. Esquecemo-nos de que, passadas as “vantagens” imediatas, seremos nós mesmos que iremos arcar com as conseqüências das ações de políticos sem moral e sem limites.

Que direito temos de reclamar dos seus desvios e desmandos, se fomos nós que os elegemos como nossos representantes?

Dependemos da pouca honestidade desses homens e dessas mulheres tanto quanto eles dependem da nossa precariedade e das intempéries climáticas que nos atingem para se elegerem. Por isso a fome não cessa entre os mais carentes, a seca é cíclica para os sertanejos, as enchentes são tragédias recorrentes para os ribeirinhos e as famílias mais numerosas são sempre as menos privilegiadas economicamente.

Os planos assistencialistas dos governos alimentam a sua miséria e os acomoda ao servilismo, logo, por mais que se desenvolva economicamente, o Brasil não consegue se livrar de problemas tão danosos quão corriqueiros...

O que nós temos feito da nossa independência? Como crianças birrentas e voluntariosas, esquecemos que liberdade exige responsabilidade e compromisso; independência também.

De nada vale conquistarmos o poder se não soubermos utilizá-lo pelo bem coletivo. Não adianta preparar as crianças para o desfile da independência se, na escola, não lhes damos lições de civismo e cidadania. Não lograremos construir uma sociedade mais humana, mais justa, se, no lar, não empregamos o amor, a igualdade e a cooperação.

Está na hora de crescer! E os governantes fazerem o seu papel, a sociedade cumprir com o que lhe cabe, as famílias assumirem as suas responsabilidades, e as pessoas – cada indivíduo que compõe esta nação verde e amarela – se esforçarem por mudar esse estado de coisas erradas que se vê por aí; a começar por si.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Do corpo e da alma

(foto: Yvette Moura)





Aqui é o flagelo inadvertido do corpo, em sacrifícios extremos, como meio de alcançar a elevação espiritual; ali, o culto exacerbado à aparência física, fazendo da corrida desenfreada pelo condicionamento muscular, e o ajuste do manequim, a principal maneira de melhorar a vida. Entre um sistema e outro, está o numeroso grupo dos indiferentes...

Como dizia a minha mãe, repetindo um de seus ditados favoritos, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Nem o sistema radical dos ascetas – que abatiam o corpo para favorecer a ascensão da alma –, nem a negligência total com as coisas do espírito, praticada pelos materialistas. Tanto um quanto o outro são igualmente importantes para o equilíbrio do ser e a sua sanidade.

Inspiradas nessa filosofia, as associações médicos-espíritas de todo Brasil vêm auxiliando a ciência a ampliar o seu conceito sobre saúde – que atualmente, para a Organização Mundial de Saúde (OMS), “é um estado de completo bem-estar físico, mental e social”.

Sabendo não se poder dissociar o corpo do seu real comandante, o espírito, esses médicos têm apresentado em seus livros, artigos e nos congressos que realizam (ver www.amebrasil.org.br), um novo paradigma para o tema, considerando que da mente humana – sede material da alma – é que se originam as forças equilibrantes e restauradoras dos trilhões de células do organismo físico.

Esses pesquisadores têm se dedicado a demonstrar a profunda relação que existe entre o corpo e a alma, e a provar que um precisa do outro para se manter saudável. A ciência do viver, portanto, está no equilíbrio dos dois sistemas supracitados.

Abatendo as más tendências do espírito e respeitando as necessidades do seu instrumento físico, o homem alcançará a saúde integral paulatinamente: uma ação conjunta entre o bem-estar físico e a perfeição moral, sem grandes agressões ou padecimentos desnecessários.

A higiene mental e a faxina no campo dos sentimentos, portanto, são tão imprescindíveis à harmonia da alma quanto o asseio do corpo e a boa alimentação o são para o bom funcionamento do aparelhamento orgânico. A prática da caridade e o exercício do perdão são tão preponderantes para a robustez da fé no ser espiritualizado quanto as atividades e os condicionamentos físicos o são para o fortalecimento da musculatura e da estrutura óssea que dá sustentação ao corpo.

Sem a atenção devida a essas duas facetas que compõem a criatura humana, negligenciada uma que seja, vamos estar sempre suscetíveis às doenças criadas pela nossa sociedade. Em dia com a forma, muitos sofrerão as angústias da alma e os vazios existenciais, entregando-se a buscas imediatistas e o entorpecimento da consciência, através de perigosas práticas.

Radicais, outros atacarão o mundo com língua afiada, beirando a loucura e perdendo a preciosa oportunidade de crescer e evoluir moral e espiritualmente, numa saudável interação com o próximo.

Cuidar do corpo e da alma é a lição do dia para os aprendizes mais atentos do mundo hodierno. Conhecer os próprios limites e realizar boas práticas, além de exercitar a alteridade, é tão importante quanto fazer visitas periódicas ao médico para uma vida saudável.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Para jamais morrer...

(foto: Yvette Moura)

Embora tenha se acentuado bastante, de uns tempos para cá, a preocupação do homem com o meio ambiente remete à Grécia Antiga, quando filósofos como Hipócrates e Aristóteles já faziam os primeiros registros de observações sobre a história natural.

Estudos mais aproximados do contexto moderno, como a Ecologia, no entanto, só começaram a ser desenvolvidos a partir de 1700. Mas em todas as épocas, os mais sensíveis e sábios sempre demonstraram real interesse pela natureza, reconhecendo na interação harmoniosa dos ecossistemas a vocação natural do nosso planeta para a manutenção da vida humana.

Francisco de Assis, no século 13, é um dos maiores exemplos de consciência ecológica de que se tem notícia, sem que a preservação do ambiente sequer fosse um tema suscitado pelos homens daquela época.

A profundidade com que enxergava os outros seres da natureza, inclusive os astros, extrapolava de tal sorte a compreensão do vulgo que muitos episódios protagonizados por ele chegaram aos nossos ouvidos na forma de lenda.


Quem não conhece, por exemplo, o encontro magistral desse santo homem com o lobo que ameaçava determinada aldeia? O potencial de amor que ele tinha era tão grande que o levou a se comunicar com o animal selvagem numa linguagem cósmica, sendo completamente compreendido por ele.

“O ser consciente – propõe Joanna de Ângelis em livro homônimo – percebendo-se instrumento da vida, que faz parte da harmonia do Universo, [...] já não luta contra as coisas, mas luta pelas coisas, que aprende a selecionar e qualificar, abandonando, por superação, as paixões dissolventes e fixando os valores que enobrecem”.

“Agigantando-se a consciência, o ser alcança a paranormalidade superior e inter-relaciona-se com os seres de faixas espirituais mais elevadas, vivendo no corpo e fora dele em plenitude”, continua a Veneranda, fazendo-me lembrar desses dois “cisco de Deus”, como se apresentava Chico Xavier: o de Assis e o de Uberaba.

Chico, que tinha o hábito de conversar com as rosas do seu quintal, confessou certa vez ao médium Divaldo Franco que fizera um apelo às células do próprio aparelho genital – no período de eclosão hormonal, próprio da juventude –, para que se “acalmassem”, a fim de que ele pudesse dar cumprimento à sua missão, que exigia castidade.

“O mundo – esclarece Joanna –, examinado sob a ótica teológica à luz da psicologia profunda, é um educandário de desenvolvimento dos recursos espirituais do ser em trânsito para o reino dos Céus”.

Como não protegê-lo, então? Como não cuidar com carinho deste barco-escola que nos abriga a viagem cósmica a caminho da luz? Afinal, se o retorno nos é necessário – até que o aprendizado integral se faça –, não será mais prudente deixar “a casa arrumada” para que nos acolha a contento numa experiência próxima?

“Como fazer” os ambientalistas já nos vem ensinando desde que o assunto se tornou uma preocupação mundial, na conferência das Nações Unidas, em 1972. O que falta é o compromisso de cada um na conquista de si mesmo, como diz Joanna em O Ser Consciente. Reconhecendo-nos partes da Natureza, cabe-nos o “querer para ser”; o “esforçar-se para triunfar”, o “viver para jamais morrer”...




@para o amigo Deraldo Francisco,


que me confessou o desejo de ler uma reflexão mais profunda sobre a importância do meio ambiente.

terça-feira, 29 de março de 2011

Missão cumprida!


Ele foi aplaudido de pé, por cerca de três minutos, ao ser chamado à mesa, na solenidade de abertura do 3º Congresso Espírita Brasileiro, em abril do ano passado, na capital federal. A figura ímpar do então vice-presidente crescia aos nossos olhos, como exemplo de força, perseverança e resignação.


Naquela ocasião, também conheceríamos a alteridade de José Alencar, que reverenciou a figura de Chico Xavier como exemplo de humildade e amor ao próximo. Ele fez questão de frisar que não só aprendeu a admirar o médium durante toda sua existência, mas também a respeitá-lo pelo maravilhoso legado que deixou através dos livros psicografados “de uma forma notável”.


Na oportunidade, José Alencar citou uma frase de Cervantes para se referir ao médium, afirmando ser a humildade a mais importante das virtudes, sem a qual nenhuma outra poderia existir. Mal sabia ele que a sua fé, inspiradora-mor da bravura que demonstrava nos últimos anos, também lhe denunciava a grandeza da alma.


Durante treze anos, o ex-vice-presidente travou uma luta silenciosa contra a doença que o vitimou no início da tarde, na Unidade de Terapia Intensiva do hospital Sírio Libanês, na cidade de São Paulo. Uma batalha digna de quem, apesar das internações cada vez mais frequentes, insistia em continuar participando ativamente da vida política do seu país. Tanto que, por pouco, não compareceu à solenidade de posse da presidenta Dilma e desceu a rampa do Palácio do Planalto ao lado do ex-presidente Lula para transferir o cargo ao seu sucessor.


Ainda assim, sentiu-se na obrigação de vestir um terno e convocar a imprensa para uma entrevista coletiva a fim de apresentar os motivos que o haviam demovido da idéia inicial. Os apelos da esposa e a certeza da “missão cumprida” fizeram-no aceitar as limitações da doença e permitir que, à distância, o país seguisse o seu rumo sem ele.


Na conversa com os jornalistas, voltou a afirmar que não tinha medo da morte, colocando-se inteiramente à disposição de Deus para a cartada final sobre a sua vida. Morrer ou não morrer, sobreviver ou não ao câncer que lhe consumia o corpo, era uma decisão divina.


Ao tomar conhecimento do seu desencarne, portanto, não poderia deixar de render, aqui, a minha singela homenagem pelo belíssimo exemplo deixado ao povo brasileiro. Sobre o empresário ou o político, eu pouco ou nada saberia dizer que acrescentasse ao que já se sabe dele, mas sobre o homem que venceu os próprios limites numa batalha desleal, mas mesmo assim não entregou os pontos, talvez tenha algo a dizer: o sorriso constante em seus lábios, nas sucessivas vezes em que deixou o hospital, denotava o burilamento interior que a doença estava proporcionando a este espírito.


“Estou melhor do que das outras vezes”, declarava bem-humorado, brincando com o próprio quadro clínico. Mas, talvez, falasse de algo que nem ele mesmo compreendia: a cura real nem sempre acontece no corpo, e o que nos parece, às vezes, um mal enorme nada mais é do que uma oportunidade grandiosa, embora com dores e sacrifícios, para o embelezamento da alma. Afinal, como diz o Mestre, de que adianta ganhar o mundo e perder-se a si mesmo?


Apesar das mais de quinze cirurgias a que foi submetido, além das mutilações que sofreu, Alencar se sentia cada vez mais vencedor diante de si mesmo. Após a maior das cirurgias realizadas, no ano de 2009, declarou que pedia a Deus constantemente para não lhe dar nenhum tempo de vida a mais, do qual não pudesse se orgulhar.


Mesmo não sabendo o que o aguardava após a morte, tenho certeza de que o seu esforço não foi em vão. E a cura integral certamente se fez, libertando o espírito que já não cabia mais num corpo físico tão limitado. Que a misericórdia divina e o amor de Jesus o alcance, vice-presidente, onde quer que o senhor se encontre!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Nó ou laço?


Não fosse o carnaval, muitas homenagens teriam sido feitas à mulher no dia oito de março deste ano. Algumas sinceras, outras nem tanto. Mas, imprensada entre os ruidosos festejos de momo, a data passou despercebida, e muitos certamente deram graças a Deus por não ter que celebrar o evento nem ouvir todo aquele discurso de gênero, além do blá-blá-blá habitual sobre as qualidades femininas.

Verdade seja dita, apesar de todo avanço alcançado no mercado de trabalho e nos direitos sociais, as mulheres continuam sendo traídas pelos próprios sentimentos. Passionais, em sua maioria, confiam demasiadamente nos parceiros, tornando-se presas fáceis quando o relacionamento soma mais brigas do que alegrias. As estatísticas evidenciam isso...

Sem saber como lidar com a mulher sedutora, mas também produtiva e auto-suficiente dos tempos atuais, o homem responde com a força bruta na maioria das vezes em que sente ameaçada a sua honra de macho. Tortura, machuca, ameaça e mata, sem cerimônia, porque se acha no direito de dispor da “amada” como se estivesse, simplesmente, descartando o objeto que já não lhe atende os caprichos.

Por outro lado, não posso me eximir de considerar que a mulher também é responsável por esse estado de coisas, uma vez que traz nas próprias mãos o poder de educar os homens do futuro e companheiros das mulheres de amanhã.

Sem uma educação igualitária, conscientizando meninos e meninas sobre direitos e deveres iguais, estaremos incorrendo nos mesmos erros e colocando a nós mesmas em situação de risco, ante os mandos e desmandos de criaturas tão imaturas quão cruéis.

Uma nova consciência precisa ser criada no seio da família a fim de que o futuro fale da violência doméstica e da violência contra a mulher, a exemplo dos duelos e de antigas práticas medievais, como uma coisa do passado. Homens e mulheres precisam voltar os seus olhos para a prole, considerando a educação do lar como coisa de primeira ordem.

A família, aliás, ou mais especificamente a ausência dela, é a principal causa da inversão de valores flagrante na sociedade dos dias atuais. Lições como respeito, trabalho e honestidade estão sendo esquecidas dentro dos lares. Exemplos de fé, solidariedade e amor ao próximo são relegados aos grupos religiosos. E as crianças vão crescendo sem parâmetros entre o certo e o errado.

São pais que maltratam filhos, quando não os abandonam ainda pequenininhos, fugindo ao compromisso primeiro; são filhos que, ultrapassando todos os limites, intentam contra os genitores; são cônjuges competindo dentro de casa ao invés de se ajudarem. Filhos relegados à televisão, ao computador, ao videogame, ou à babá. E a troca, o diálogo em família, o auxílio mútuo e o companheirismo parecem valores démodé e antiquados...

Mas nunca é tarde para voltar atrás e re-significar as relações interpessoais. Nunca é tarde para ser um pai, uma mãe ou um filho melhor. Sempre é tempo para aplainar as arestas e tomar novas atitudes, reconquistando a família. Sempre é tempo de reconhecer os próprios erros e apostar nos acertos, ajustando as lentes do amor.

E se for necessário ajuda, não economizemos nos recursos. Aproveitemos todas as oportunidades, todas as ofertas de qualidade, independente do rótulo. Como bem disse o Mestre, se a árvore é boa, o fruto também o é. E em se tratando de família, urge apertar mais esse laço para evitar dissabores futuros, como propõe Conceição Farias, no seminário que está organizando para os dias 25 e 26 de março, sexta e sábado próximos, no auditório do Sindicato dos Bancários.

Especialista da saúde, terapeuta da família e expositor espírita, o paraense Alberto Almeida trabalhará o tema “Família – transformando nó em laço”, e isso me parece tão oportuno quanto necessário para pais e filhos. O que lhe parece?