sexta-feira, 28 de março de 2008

Breves reflexões sobre trovões, raios e superstição

O que eu não posso negar é que a estação das trovoadas e dos raios constitui um conjunto de belos espetáculos.


De acordo com as previsões meteorológicas, nos próximos vinte anos, as chuvas de verão serão caracterizadas por muita água, relâmpagos, trovões e raios - exatamente como acontecia quando eu era criança, lá em Canhotinho. Só até esse iniciozinho de outono já deu para sentir um pouco do que nos aguarda pela frente até a terceira década do Século 21.

De fevereiro até aqui, já foram cinco mortes provocadas por descargas elétricas caídas do céu, e as autoridades competentes já começam a alertar a população para os cuidados que devem ser adotados diante da “nova” realidade. Nada que provoque pânico, é claro, mas, sem dúvida, há que se ter precaução e tomar alguns cuidados com as tais manifestações naturais.

Eu até já nutria, confesso, uma indisfarçável nostalgia em relação às rigorosas tempestades da infância. É claro que esse sentimento era reforçado pelas inúmeras lembranças do passado, mas o que eu não posso negar é que a estação das trovoadas e dos raios constitui um conjunto de belos espetáculos.

Hoje em dia, quando o céu é tomado por nuvens escuras, que depois se dissolvem num temporal, meu coração fica dividido entre o prazer e a apreensão. Afinal, são tantas famílias morando em situação de risco que a consciência me cobra um comportamento mais solidário para com os mais necessitados. Em oração peço a Deus que os proteja, mas também agradeço, porque é inevitável o brilho dos meus olhos e as doces lembranças da infância.

Naquela época, talvez porque fosse a menor da turma (somos seis irmãos), tudo me parecia grande demais e as noites de chuva davam a impressão de serem intermináveis. Sem falar que elas sempre se faziam acompanhar por quedas de energia ou pela total interrupção dela – um problema que só seria solucionado no dia seguinte. Tinha até uma musiquinha que a gente costumava cantar para aliviar os aborrecimentos provocados pelas duas situações mais recorrentes no nosso município, tanto no inverno quanto no verão:

“Canhotinho é uma cidade que seduz: de dia falta água, de noite falta luz”.

Naquela época – início da década de setenta –, nas pequenas cidades do interior, a energia elétrica era um artigo de luxo para alguns e uma realidade distante para outros, e o seu fornecimento era ainda muito precário. Talvez por isso, as manifestações da natureza chamavam tanto a atenção da meninada: contar as estrelas, correr na chuva, ouvir estórias sob a luz da lua, brincar com as sombras produzidas pelo sol eram práticas comuns da criançada.

Ademais, a divindade tinha uma influência muito grande sobre o comportamento dos infantes, que temiam o Criador como a um pai severo e rígido, que educava sob a lei da palmatória, empregando severos castigos a quem transgredisse suas normas. Cultivando tamanha ignorância, era natural que temêssemos também os fenômenos da natureza, como os raios e os trovões, que nada mais eram, para nós, do que armas infalíveis do irascível “pai”.

Talvez tenha sido por uma leitura dessas que a menina Ana Paula, de treze anos, que morava com a avó no Sítio Bulandi, distrito de Lagoa dos Gatos, no agreste pernambucano, tenha ficado tão assustada ao se deparar, de repente, com um raio. Contam que a menina estava olhando a chuva na porta de casa quando viu riscar o corisco na sua frente. Mais rápido do que imediatamente, correu para dentro, mas foi seguida pelo raio.

A descarga elétrica teria irrompido sala adentro e acompanhado a menina até o quarto, quando Ana Paula, aos berros, jogou-se em cima da cama e viu o corisco explodir no chão pisado, a menos de dois metros diante de si.

Bom! Se foi mesmo assim que tudo aconteceu, eu não posso garantir, mas soube que, depois do ocorrido, Ana Paula foi morar na capital e só volta ao Bulandi para visitar a mãe. Mas nunca no período de chuvas!

2 comentários:

Daniel Japiassú disse...

Olá Yvette, eu me chamo Daniel, sou trabalhador do Lar Francisco de Assis, não sei se você se recorda de mim.
Estava olhando o blog do Marcos Rodrigues, vi o link para o seu blog e entrei.
Queria divulgar para você a página do Grupo de Estudos Espíritas Universitário de Alagoas (GEEU-AL).

www.geeual.xpg.com.br

Eu estava querendo entrar em contato com você. Será que poderia me enviar um e-mail?

Um grando abraço!

Maria Moura. disse...

claro que eu lembro de vc, Daniel.
seja bem vindo!
entrei na tua página e gostei muito, mas não consegui deixar recado.
vou tentar te mandar um e-mail, está bem?
um abraço!