quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Outros tempos...

“Antes de qualquer projeto mais ousado, o deverzinho de casa”

Às vezes queremos dar passos maiores do que as nossas pernas nos permitem e acabamos nos atrapalhando no manejo dos preciosos membros e levando um tombo ou fazendo “um arrrte”, como dizem os mais velhos, carregando na pronúncia do “r”. Em outras palavras, há coisas que não devemos nos meter a fazer se não tivermos a certeza absoluta de que tudo sairá a contento.

Hoje, por exemplo, eu gostaria de falar sobre o desempenho de Alagoas nas pesquisas de âmbito nacional que avaliam, entre outras coisas, o índice de analfabetismo e o grau de violência nos estados e municípios, mas, infelizmente, não consegui encontrar dados suficientes para fazer as minhas assertivas.

O primeiro item nos parece já bem definido, uma vez que, segundo os especialistas, os resultados do Enem mostram que, apesar da queda nos índices de evasão escolar em nosso Estado, os alagoanos ainda estão bem atrás no aproveitamento, dentro da sala de aula. Melhor dizendo, Alagoas é o último colocado em aprendizado escolar. É no quesito violência, no entanto – apesar de acompanhar diariamente o crescimento da violência urbana em nossa cidade –, que eu não me sinto suficientemente abalizada para falar...

Segundo o proprietário da “pet shop” em que faço a tosa do nosso cachorrinho, a CNN mostrou, na semana passada, uma ampla reportagem sobre a violência em nosso País. Foi lá que Alagoas figurou, mais uma vez, entre os piores índices. Para ser mais exata, segundo as pesquisas, a capital alagoana ocupa o primeiro lugar proporcional em mortes violentas, ganhando até do Recife e de São Paulo no número de óbitos por dia.

Como não encontrei qualquer menção a esse respeito na mídia eletrônica – digo, nenhuma matéria que apresentasse os dados oficiais da pesquisa sobre a qual falava a reportagem a que o comerciante assistiu –, eu prefiro não tomar como verdade absoluta o que me foi dito por ele, embora me pareça uma informação bastante condizente com o que venho acompanhando no dia-a-dia, como cidadã e jornalista dessa capital.

Creio que cada leitor deve ter algum caso de violência urbana para contar. Se não aconteceu diretamente consigo, terá ocorrido com algum vizinho, parente ou conhecido, pois o fato é que já se tornou comum, em Maceió, a violência urbana figurar entre os assuntos do dia nas rodas de bate-papo. Coisa que, sinceramente, eu acho uma pena, pois antes não era assim...

Esta terra linda, que eu escolhi para viver, trabalhar e criar as minhas filhas – numa opção declarada pela tranqüilidade e pela qualidade de vida –, já não é mais a mesma. Quando cheguei aqui, no início da década de 90, fiquei encantada com o ar interiorano de Maceió. Com poucos edifícios, era hábito comum as famílias botarem cadeiras na frente de suas casas, logo ao cair da noite, para conversarem com os vizinhos enquanto observavam o movimento da rua – quase inexistente.

Treze anos se passaram, ou pouco mais que isso, e a cidade já não comporta mais o velho hábito, tão saudável quanto antigo. O motivo não é outro: a violência. Desejo não lhes falta, como pudemos constatar Elisana Tenório e eu numa matéria que fizemos no ano passado sobre esse tema, mas as pessoas estão com medo. E a cada dia um fato novo estampa as páginas dos jornais...

Bom, mas como não encontrei os dados científicos que precisava para falar sobre o assunto, vou correr às tarefas domésticas que forem mais urgentes e inadiáveis: lavar a louça, escolher os alimentos e preparar um almoço bem gostoso para as meninas, que daqui a pouco vão chegar da escola famintas.

Quem sabe não é exatamente isso que está faltando aos nossos governantes? Antes de qualquer projeto mais ousado, o deverzinho de casa. Afinal, de que vale uma cidade moderna e cheia de atrativos se as pessoas não tiverem segurança para transitar por ela?

2 comentários:

Archiduque de Applecore disse...

Eu nao conheçou a situaçâo do seu país, mais eu penso que o texto foi muito importante. Seu punto de vista é imprescindível...

Abraço!!!

Fabián

Maria Moura. disse...

estamos com sérios problemas de segurança pública em nosso estado, Fabián.

O que é uma pena, porque há muita beleza natural por aqui e Maceió é uma cidade linda.

um forte abraço!!

adorei a tua visita. volte sempre!