sábado, 11 de abril de 2009

Desejos e garatujas

Lembra da semana passada? Pois bem! Foi só falar aqui sobre o poder de um desejo sincero e brincar com a possibilidade de encontros extraordinários que as histórias fantásticas começaram a aparecer. A primeira foi a do amigo Luís Cláudio Castello Branco, que, ao me ver adentrar à Redação deste matutino para a jornada vespertina
da última quarta-feira, abriu um largo sorriso e atirou à queima-roupa:

- Companheira, aconteceu comigo!!!

E eu, que tenho uma memória deficitária nesses momentos de poucas palavras, fiz um minuto de silêncio – aquele suspense no ar – para vasculhar na mente um possível evento que pudesse ter acontecido com ele e que, de alguma forma, me dissesse respeito...

- O desejo que se realizou, companheira! Ajuntou o amigo em meu auxílio, puxando-me para fora do buraco negro, digo, do “branco” que me deu.

- Foi mesmo?! Comemorei – surpresa –, pois, como havia dito, nunca botei muita fé nessa estória de desejo que se torna realidade.

Ele me ofereceu um assento e começou a relatar o que havia se passado consigo muitos anos atrás. Disse-me que tinha algo em torno de 8 anos de idade – e era muito “namorador” –, quando, numa festa da família, viu chegar no colo da mãe uma menina, cuja beleza lhe arrebatou o coração. Ela tinha traços tão delicados e uma meiguice tão singular que “pegou” o garoto de jeito.

Com o coração disparado e as bochechas em brasa, o menino correu para o banheiro e, atrás da porta, rogou ao Pai-do-Céu com toda a força da pureza infantil: - Deus, eu quero essa mulher pra mim!

(E eu abro aqui um parêntese para convidar o leitor a imaginar esta belíssima cena em que o pequeno Lula se esconde atrás da porta – com toda a danação da sua meninice representada na liberdade inconteste dos inúmeros cachos que lhe pendiam da cabeça –, com o coração aos pulos, as bochechas rosadas e as mãos em concha, para fazer a sua fervorosa rogativa.)

Passados os anos, revendo fotos da família, há pouco tempo foi que meu amigo descobriu que aquela menininha linda que lhe arrebatara o coração de forma tão inesperada, na casa de sua tia, ninguém mais era do que a sua esposa Noeme, que ele carinhosamente chama de “Nó em mim”.

Primos distantes, ela fazia parte do núcleo mineiro da família, que, vez por outra, vinha passar as férias de verão em Maceió, na casa de praia do seu avô.

Depois dessa era impossível não me remeter aos meus inúmeros desejos que, sem haver me dado conta, foram realizados. Eu poderia ressaltar aqui o fato de achar “25 anos” uma idade excelente para se ter um filho – coisa que acabou acontecendo, sem qualquer planejamento de minha parte.

Também o desejo de dar à luz em um sábado por me parecer o dia mais adequado para receber os cuidados e o auxílio do companheiro, dos parentes e dos amigos: as minhas duas filhas nasceram no sábado.

Ainda, a atração que eu sentia por este jornal – que tinha menos de um ano quando aqui aportei –, o que me fazia dizer com frequência, toda vez que passava pela Comendador Leão: “Eu ainda vou trabalhar aí!”. Dito e feito.

E o desejo secreto de ser uma articulista desta página, quando ainda nem tinha coragem de tirar da gaveta os cadernos de garatujas, que se acumulavam lá dentro.

Histórias como a de Lula e as próprias experiências que acabo de relatar me levam, finalmente, a crer que um desejo expresso com toda a sinceridade e pureza do coração – desde que não seja para um fim egoísta ou para o mal de outrem – pode ser atendido, com certeza, pela misericórdia do Criador.

Mas, como sabiamente aconselha Jak, é melhor pensar bem antes de formular um desejo e passar pelo crivo da razão com três perguntinhas básicas: por que, para que e como. Se uma das respostas lhe parecer duvidosa, é preferível não desejar!

(Crônica publicada em O Jornal, no dia 08/04/09)
@Para Lula, é claro.

3 comentários:

Lula Castello Branco disse...

Êitcha ! Mas que gratidão. Obrigado companheira. Tá linda. Só acho que faltou a grande reflexão explícita da moral da estória: "Veja lá o que você vai pedir à Deus !"... rsss

Feliz,

Bjão.

Lula

Archiduque de Applecore disse...

"Disse-me que tinha algo em torno de 8 anos de idade – e era muito “namorador” –, quando, numa festa da família, viu chegar no colo da mãe uma menina, cuja beleza lhe arrebatou o coração. Ela tinha traços tão delicados e uma meiguice tão singular que “pegou” o garoto de jeito."

Muy lindo!!
Abrazo

Maria Moura. disse...

foi um prazer enorme escrever esta história. como o pequeno Lula, eu me apaixonei por ela desde o primeiro instante em que a ouvi.
rsss...
um beijo, queridos.