sábado, 23 de outubro de 2010

Entre imagens e palavras...


(Elisana Tenório fotografada por Yvette Moura)
Às vezes é bom fugir um pouco da rotina, e experimentar coisas novas, conhecer lugares diferentes e gente que nem imaginava existir. No dia-a-dia de um mercado de trabalho competitivo e estressante como o nosso, sempre é bom quando podemos unir o “ganha-pão” diário com novidade e diversão: trabalho com sabor de aventura.

Eu me dei conta disso quando estava no meio de um canavial, por volta das dez horas da manhã, nas proximidades de Jequiá da Praia, acompanhada da repórter Elisana Tenório, em cima da carroceria de uma caminhoneta.

Vestidas com uma roupa esquisita, como se fôssemos astronautas-recém-caídas-do-céu, não nos preocupávamos com os cabelos assanhados e as poucas condições de conforto na inusitada jornada. Pensávamos apenas no que viria depois daquela estrada, no tanto que havia ainda para ser desvendado do universo desconhecido que estávamos perscrutando e no quanto poderia render aquela nossa aventura.

- Quando, num ofício mais burocrático, eu poderia viver um dia como esse? Perguntei à amiga, fechando os olhos ao sol e sentindo as carícias do vento penetrar pelas minúsculas frestas do enorme-capacete-espacial, que nos serviria de proteção para a execução da nossa tarefa.

Então me lembrei do indomável instinto de liberdade, que sempre me foi característico, e do quanto isso foi preponderante na escolha da minha profissão. Não conseguiria sobreviver por muito tempo realizando a mesma tarefa cotidianamente se não fossem as aventuras inesperadas que o jornalismo proporciona: cada dia uma nova missão; algumas interessantes e divertidas, outras nem tanto.

Um dia de cada vez: é esta a sensação que me passa a profissão que abracei. Amanhã, a missão já será outra, e o que surgirá dela é uma incógnita até que esteja tudo concluído. Mas o resultado dos nossos esforços só será visto no outro dia, quando, exposto nas bancas ou à venda nos sinais, o jornal é oferecido aos transeuntes. Ali, o fruto do nosso suor, no dia anterior. Uma vez publicadas, já não nos pertencem mais a matéria e as fotos, mas àqueles que as consumirem...

Enquanto seguíamos o nosso caminho, naquela manhã (a matéria sai nesse O Jornal - 25/10), eu me lembrei de grandes nomes do jornalismo alagoano, especialmente o do amigo Arnaldo Ferreira, que, ainda hoje (trabalhando pela Band, na Bahia) faz da busca pela notícia o seu sacerdócio e, embora os tantos anos de experiência, conserva o mesmo entusiasmo do início da carreira ante a oportunidade de “contar mais uma história”.

Irrequieto por natureza, costumava dizer (nas nossas intermináveis conversas) que se sente privilegiado por ter o “não saber” como ofício diário, fazendo do ato de perguntar a prática essencial para a boa produção do seu trabalho. Em alguns momentos difíceis, quando o brilho ameaçava abandonar os meus olhos, ele era enfático: “- Reconheça-se! Bote a universitária pra fora”. E a energia das suas palavras fazia ressurgir, em mim, o idealismo que parecia perdido.

Apesar dos embates da vida, e das vezes tantas em que os problemas pessoais ameaçaram calar a voz do meu amigo, o espírito universitário – que lhe reacende o brilho dos olhos a cada nova matéria – é o que tem mantido vivo o seu idealismo e o afã de contribuir para a criação de um mundo melhor com a força do seu ofício...

Com ou sem diploma (roubado de nós levianamente), uma coisa é fato: o jornalismo requer entrega e paixão; disposição e espírito de aventura. Mas é um trabalho essencialmente de equipe: embora o gênio e a dedicação de cada um, não existem estrelas solitárias, mas constelações. O compromisso com a verdade e a ética também são fundamentais...

E assim, odiados por uns e amados por outros, seguimos, dia-a-dia, na grande missão abraçada: trabalhar incansavelmente na irresistível tarefa de registrar a história da humanidade.



@para todos os amigos jornalistas, é claro. E para o querido Arnaldo Ferreira, o meu mais caloroso abraço.

2 comentários:

Elisana disse...

Eita como foi bom, não foi Rubra?? A aventura, o gosto do mel, o zumbido das abelhas, as nossas intermináveis conversas, a companhia da lagoa, as reclamações do velho Osmário e o "tchau risonho" do meu Rodrigo... Eita profissão porreta, sô!!! Beijo!

Maria Moura. disse...

hahahah...
adorei, Elis.
precisamos repetir mais vezes.
bjo.

MM.